Fuso-horário internacional

Translate

English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

PÁGINAS

Voltar para a Primeira Página Ir para a Página Estatística Ir para a Página Geográfica Ir para a Página Geopolítica Ir para a Página Histórica Ir para a Página Militar

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Confronto entre blocos militares: “Tríplice Aliança” Eurosiática. A Importância Estratégica do Irã para a Rússia e China.

 

       Apesar de diferenças e rivalidades entre Moscou e Teerã em alguns assuntos, os laços entre os dois países, com base em interesses comuns, têm evoluído significativamente. Tanto a Rússia e quanto o Irã são dois importantes exportadores de energia, eles têm interesses enraizados no Sul do Cáucaso. Ambos são firmemente contrários ao escudo antimísseis da OTAN, que visa a prevenção dos EUA e UE sobre o controle dos corredores energéticos em torno da bacia do Mar Cáspio.

       Os laços bilaterais entre Moscou e Teerã também são parte de uma aliança mais ampla e sobreposição envolvendo Armênia, Tadjiquistão, Bielo-russia, Síria e Venezuela. No entanto, acima de tudo, ambas as Repúblicas são também dois dos principais alvos geo-estratégicos de Washington. 
 
 A Tríplice Aliança Euroasiática:. A Importância Estratégica do Irã para a Rússia e China.

Presidente Mahmoud Ahmadinejad do Irã e Dmitry A. Medvedev Presidente da Rússia, durante uma reunião bilateral em Dushabe, Tajiquistão. A reunião bilateral iraniano-russa foi realizada à margem de uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai em 28 de agosto de 2008.Presidente Mahmoud Ahmadinejad do Irã e Dmitry A. Medvedev Presidente da Rússia, durante uma reunião bilateral em Dushabe, Tajiquistão. A reunião bilateral iraniano-russa foi realizada à margem de uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai em 28 de agosto de 2008.

      China, Federação Russa, e Irã são amplamente considerados como aliados e parceiros. Juntas a Federação Russa, República Popular da China, e a República Islâmica do Irã formam uma barreira estratégica contra o expansionismo dos  EUA. Os três países formam uma "tríplice aliança", que constitui o núcleo de uma coalizão Euroasiática dirigida contra a invasão dos EUA à Eurasia e sua busca pela hegemonia global. Enquanto que a China enfrenta a invasão dos EUA vinda do Leste da Ásia e do Pacífico, Irã e Rússia, respectivamente confrontam a  coalizão liderada pelos EUA no Sudoeste da Ásia e na Europa Oriental.

      Os três países são ameaçados na Ásia Central e estão desconfiados com a presença militar dos EUA e da OTAN no Afeganistão. O Irã pode ser caracterizado como um pivô geoestratégico. A equação geopolítica na Eurásia muito depende da estrutura de alianças políticas do Irã. Numa hipótese de o Irã se tornar um aliado dos Estados Unidos, isso iria prejudicar gravemente ou até mesmo desestabilizar a Rússia e a China. Isto também diz respeito às conexões etno-culturais, lingüísticas, econômicas, religiosas e geopolíticas do Irã com o Cáucaso e a Ásia Central. Além disso, à medida em que as estruturas de alianças políticas fossem mudando em favor dos EUA, o Irã poderia também se tornar o maior canal para a influência dos EUA e sua expansão no Cáucaso e na Ásia Central.

      Isso tem a ver com o fato de que o Irã é a porta de entrada suave pelo sul da Rússia e próximo, do Cáucaso e da Ásia Central. Em tal cenário, a Rússia como um corredor energético seria enfraquecida no momento em que Washington "desbloquearia" o potencial do Irã como um corredor de energia primária para a bacia do Mar Cáspio, o que implica de fato o controle geopolítico dos EUA sobre as rotas de oleodutos iranianos.

     A este respeito, parte do sucesso da Rússia como uma rota de trânsito de energia foi devido aos esforços dos EUA para enfraquecer o Irã, impedindo o trânsito de energia através do território iraniano. Se o Irã fizesse uma "mudança de campo" e entrasse na esfera de influência dos EUA, a economia e a segurança nacional  chinesa também seriam mantidas como reféns por duas razões. A segurança energética chinesa estaria ameaçada diretamente, pois as reservas de energia do Irã não seriam mais seguras e estariam sujeitas aos propósitos geopolíticos dos EUA. Além disso, a Ásia Central também poderia reorientar sua órbita e Washington poderia abrir um canal direto e forçado dos mares abertos através do Irã.

O Ministro das Relações Exteriores iraniano Ali Akbar Salehi e o ministro das Relações Exteriores russo Sergey V. Lavrov em Moscou juntos discutindo passo-a-passo a proposta nuclear da Rússia. 
O Ministro das Relações Exteriores iraniano Ali Akbar Salehi e o ministro das Relações Exteriores russo Sergey V. Lavrov em Moscou juntos discutindo passo-a-passo a proposta nuclear da Rússia.

      Assim, tanto a Rússia quanto a China querem uma aliança estratégica com o Irã como um meio de blindá-lo da invasão geopolítica dos Estados Unidos. “A fortaleza Eurasia” seria deixada exposta sem o Irã. É por isso que nem a Rússia nem a China poderia aceitar uma guerra contra o Irã. Se Washington transformasse o Irã em um cliente, então, a Rússia e a China estariam sob ameaça.

Leitura incorreta do suporte da China e da Rússia às sanções do Conselho de Segurança da ONU

      Existe uma leitura muito errada do apoio russo e chinês a Teerã mediante as sanções da ONU contra o Irã. Embora Pequim e Moscou tenham permitido sanções a serem proferidas do Conselho de Segurança da ONU contra seu aliado iraniano, eles fizeram isso por razões estratégicas, nomeadamente visando manter o Irã fora da órbita de Washington. Na realidade, aos Estados Unidos seria muito melhor cooptar Teerã como um parceiro satélite ou junior do que correr o risco desnecessário de jogar com o risco de uma guerra total com os iranianos. O que o apoio russo e chinês para sanções contra o Irã fez foi permitir o desenvolvimento de um amplo abismo entre Teerã e Washington. Nesse sentido, o realpolitik vem trabalhando.

      Como a tensão americano-iraniana amplia-se, as relações do Irã com a Rússia e China se tornam mais fortes e o Irã se torna mais e mais entrincheirado na sua relação com Moscou e Pequim. A Rússia e a China, no entanto, nunca vão apoiar sanções paralisantes ou qualquer forma de embargo econômico que possam ameaçar a segurança nacional iraniana. É por isso que a China e a Rússia têm se recusado a serem coagidas por Washington a se juntarem às suas novas sanções unilaterais em 2012. Os russos também alertaram a União Europeia a deixar de ser peões de Washington, porque eles estão se prejudicando, jogando junto com os esquemas dos Estados Unidos. A este respeito a Rússia tem comentado sobre os planos impraticáveis e virtualmente inviáveis da UE de um embargo petrolífero contra o Irã. Teerã também fez alertas semelhantes e rejeitou o embargo do petróleo da UE como uma tática psicológica que está fadado ao fracasso.

O Secretário-Geral iraniano Jalili e o secretário Patrushev em Teerã, no Irã durante as conversações de segurança nacional em agosto de 2011. O Secretário-Geral iraniano Jalili e o secretário Patrushev em Teerã, no Irã durante as conversações de segurança nacional em agosto de 2011.

A Cooperação de Segurança russo-iraniana e a Coordenação Estratégica

      Em agosto de 2011, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Secretário-Geral Saaed (Said) Jalili, e o chefe do Conselho de Segurança Nacional da Federação Russa, secretário Nikolai Patrushev Platonovich se reuniram em Teerã para discutir o programa de energia nuclear iraniano, bem como a cooperação bilateral. A Rússia quis ajudar o Irã a rejeitar a nova onda de acusações de Washington dirigidas contra o Irã. Logo depois que Patrushev e a sua equipe russa chegaram a Teerã, o Ministro das Relações Exteriores Iraniano, Ali Akbar Salehi, voou a Moscou.

      Ambos Jalili e Patrushev se encontraram novamente em setembro de 2011, mas desta vez na Rússia. Jalili foi a Moscou e depois cruzou os Urais para a cidade russa de Yekaterinburg. A reunião de Irã e Rússia em Yekaterinburg ocorreu fora do campo de uma cúpula internacional de segurança. Além disso, neste local, foi anunciado que os mais altos corpos da segurança nacional em Moscou e Teerã passaria a coordenar a realização de reuniões regulares. Um protocolo entre os dois países foi assinado em Yekaterinburg. Durante esta reunião importante, tanto Jalili como Patrushev mantiveram reuniões com o seu duplo chinês, Meng Jianzhu.  Como resultado dessas reuniões, um processo semelhante de consultas bilaterais entre os conselhos de segurança nacionais do Irã e da China foi estabelecido.

      Além disso, as partes também discutiram a formação de um conselho de segurança supranacional dentro do Conselho de Cooperação de Xangai para enfrentar as ameaças dirigidas contra Pequim, Teerã, Moscou e seus aliados da Eurásia. Também em setembro de 2011, Dmitry Rogozin, enviado russo à Otan, anunciou que iria visitar Teerã em breve para discutir o escudo antimísseis da OTAN projeto, que tanto a Moscou quanto Teerã se opõem. Relatórios afirmando que Rússia, Irã e China estavam planejando a criação de um escudo antimísseis comum começou a vir à tona. Rogozin, que advertiu em agosto de 2011 que a Síria e o Iêmen seriam atacados como "trampolins ecológicos" no confronto mais amplo contra Teerã, respondeu publicamente refutando os relatórios referentes ao estabelecimento de um projeto sino-russo-iraniano de escudo de mísseis conjunto.

      No mês seguinte, em outubro de 2011, Rússia e Irã anunciaram que iriam expandir os laços em todos os campos. Logo depois, em novembro de 2011, Irã e Rússia assinaram um acordo de cooperação estratégica e parceria entre os mais altos corpos de segurança envolvendo economia, política, segurança e inteligência. Este foi um documento muito esperado em que ambos, a Rússia e o Irã estavam trabalhando. O acordo foi assinado em Moscou pelo secretário-geral adjunto do Conselho Supremo de Segurança do Irã, Ali Bagheri (Baqeri), e o Sub-Secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia, Yevgeny Lukyanov.

Vladimir V. Putin e Mahmoud Ahmadinejad mantêm conversações em Teerã, no Irã fora do campo de uma reunião de nações do Mar Cáspio em Outubro de 2007.Vladimir V. Putin e Mahmoud Ahmadinejad mantêm conversações em Teerã, no Irã fora do campo de uma reunião de nações do Mar Cáspio em Outubro de 2007.

      Em novembro de 2011, o chefe do Comitê para Assuntos Internacionais da Duma russa, Konstantin Kosachev, também anunciou que a Rússia deve fazer tudo o que puder para evitar um ataque ao vizinho Irã. No final de novembro 2011, foi anunciado que iria Dmitry Rogozin visitar ambos Teerã e Pequim, em 2012, juntamente com uma equipe de funcionários russos a realizar discussões estratégicas sobre estratégias coletivas contra as ameaças comuns.

A Segurança Nacional russa e iraniana estão ligadas

      Em 12 de janeiro de 2012, Nikolai Patrushev disse à Interfax que temia uma grande guerra iminente e que Tel Aviv estava empurrando os EUA para atacar o Irã. Ele descartou as alegações de que o Irã estava secretamente fabricando armas nucleares e disse que por anos o mundo tinha ouvido continuamente que o Irã teria uma bomba atômica por náusea do anúncio na próxima semana. Seus comentários foram seguidos por um terrível aviso de Dmitry Rogozin.

Dmitry O. Rogozin, representante da Rússia na Sede da OTAN em Bruxelas, a Bélgica.Dmitry O. Rogozin, representante da Rússia na Sede da OTAN em Bruxelas, a Bélgica.

      Em 13 de janeiro de 2012, Rogozin, que tinha sido nomeado vice-primeiro-ministro, declarou que qualquer tentativa de intervenção militar contra o Irã seria uma ameaça à segurança nacional da Rússia. Em outras palavras, um ataque a Teerã é um ataque contra Moscou. Em 2007, Vladimir Putin mencionou essencialmente a mesma coisa quando ele estava em Teerã para uma reunião de cúpula no Mar Cáspio, o que resultou num alerta de George W. Bush, de que a Terceira Guerra Mundial poderia entrar em erupção sobre o Irã. A afirmação de Rogozin é simplesmente uma declaração do que foi a posição da Rússia desde o início: Se o Irã cair, a Rússia estaria em perigo.

Ministro de Defesa Sírio Dawoud (David Rajha) visita o Almirante do porta-aviões Russo Kuznetsov posto em doca no porto sírio de Tartus no dia 8 de Janeiro de 2012.Ministro de Defesa Sírio Dawoud (David Rajha) visita o Almirante do porta-aviões Russo Kuznetsov posto em doca no porto sírio de Tartus no dia 8 de Janeiro de 2012.

      O Irã é o alvo da hostilidade dos EUA não apenas pelas suas reservas de energia e recursos naturais vastos, mas por causa da grande consideração geoestratégica que fazem dele um trampolim estratégico contra a Rússia e a China. As estradas de Moscou e Pequim também passam por Teerã, assim como a estrada para Teerã passa por Damasco, Bagdá e Beirute. Os EUA não querem apenas o controle do petróleo e gás natural iraniano para consumo ou razões econômicas. Washington quer colocar uma mordaça em torno da China e controlar a segurança energética chinesa e as exportações de energia do Irã para garantir que sejam negociadas em dólares dos EUA e manter o uso continuado do dólar dos EUA em transações internacionais.

Os aliados sírios, o Secretário-geral Hassan Nasrallah de Hezbollah e Mahmoud Ahmadinejad do Irã, juntam-se ao Presidente Bashar al-Assad para uma reunião em Damasco na Síria no dia 25 de Fevereiro de 2010.Os aliados sírios, o Secretário-geral Hassan Nasrallah de Hezbollah e Mahmoud Ahmadinejad do Irã, juntam-se ao Presidente Bashar al-Assad para uma reunião em Damasco na Síria no dia 25 de Fevereiro de 2010.

      Além disso, o Irã tem vindo a fazer acordos com vários parceiros comerciais, incluindo China e Índia, onde as transações comerciais não serão conduzidas em euros ou dólares dos EUA. Em janeiro de 2012, a Rússia e o Irã substituiram o dólar dos EUA pelas suas moedas nacionais, respectivamente, o rublo russo e o rial iraniano, no seu comércio bilateral. Este foi um golpe econômico e financeiro para os Estados Unidos.

A Síria e as preocupações de Segurança Nacional do Irã e da Rússia

      Rússia e China com o Irã estão todos apoiando firmemente a Síria. O cerco diplomático e econômico contra a Síria está ligadao às estacas geopolítica para controlar a Eurásia. A instabilidade na Síria está ligada ao objetivo de combater o Irã e, finalmente, transformando-o em um parceiro dos EUA contra a Rússia e China.O desdobramento cancelado ou atrasado de milhares de tropas dos EUA a Israel para o "Austero Desafio 2012" ficou intensionado a aumentar a pressão contra a Síria.

O Alvand, um dos dois navios de guerra iranianos que visitaram o porto sírio de Lattakia durante o mês de Fevereiro de 2011.O Alvand, um dos dois navios de guerra iranianos que visitaram o porto sírio de Lattakia durante o mês de Fevereiro de 2011.

      Com base em um relatório de Voz da Rússia, segmentos da imprensa russa informaram erroneamente que o "Austero Desafio 2012" ia ser realizado no Golfo Pérsico, que foi equivocadamente anunciado por agências de notícias em outras partes do mundo. Isto ajudou a destacar a conexão iraniana às custas das conexões sírias e libanesas. O envio de tropas dos EUA foi destinado predominantemente para a Síria como um meio de isolar e combate contra o Irã. O "cancelado" ou "atrasado" exercício de mísseis Israel-US, muito provavelmente prevendo ataques de mísseis e foguetes não só do Irã, mas também da Síria, Líbano e territórios palestinos.

Contra-almirante Habibollah Sayyari durante a realização de uma conferência de imprensa em 28 de fevereiro de 2001 na Embaixada Iraniana na Síria sobre a presença naval iraniana na costa mediterrânea da Síria.Contra-almirante Habibollah Sayyari durante a realização de uma conferência de imprensa em 28 de fevereiro de 2001 na Embaixada Iraniana na Síria sobre a presença naval iraniana na costa mediterrânea da Síria.

       Além dos seus portos navais na Síria, a Rússia não quer ver a Síria usada para reencaminhar os corredores energéticos na Bacia do Cáspio e da Bacia do Mediterrâneo. Se a Síria foram a cair, estas rotas seriam resincronizadas para refletir uma nova realidade geopolítica. Às custas do Irã, a energia do Golfo Pérsico também poderia ser reencaminhada para o Mediterrâneo, tanto através do Líbano como pela Síria.

Autor: Mahdi Darius Nazemroaya
Fonte: http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28790

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Disputas e diplomacia: Por que o Japão se apega às Ilhas Curilas russas?

 O ministro do exterior da Rússia, Sergei Lavrov, fará uma visita de seis dias ao Japão em poucos dias. Espera-se que o conselho anfitrião pontue sobre o tema sempre presente das Curilas do sul.

 A visita atual de Lavrov será realizada num momento após a "inspeção" demonstrativa nas Curilas do Sul por um alto funcionário japonês. Em 14 de janeiro o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Koichiro Gemba inspecionou a ilha a partir do convés de seu navio, o que deu origem a outra onda de declarações de políticos, figuras públicas e jornalistas sobre a questão territorial entre a Rússia e o Japão.

 Recentemente, a questão territorial para os japoneses tem sido mais aguda do que nunca (acho que a "comemoração" do Dia dos Territórios do Norte pelos japoneses em 07 de fevereiro de 2011, o abuso da bandeira russa e uma bala entregue à embaixada russa em Tóquio, em um envelope). A situação foi agravada pelas declarações repetidas do Departamento de Estado dos EUA sobre o seu apoio às reivindicações territoriais japonesas.


 A Rússia confirmou uma opinião justa sobre a inadmissibilidade de usar o termo "o regresso das ilhas", uma vez que tal afirmação carrega um tom de má vontade em aceitar as condições do mundo pós-guerra. O termo de substituição proposto "transferência voluntária" por um lado, enfatiza a atitude benevolente das partes, e por outro lado, não contém a reconsideração dos resultados da Segunda Guerra Mundial.

 A grande maioria dos russos não aceita a idéia de transferir as Ilhas Curilas do Sul para o Japão. De acordo com uma pesquisa de opinião pública realizada pelo portal Superjob.ru em março do ano passado, seguindo ainda a compaixão geral pelo Japão após do grande terremoto, 75 por cento dos russos não consideraram direito de dar as ilhas para o Japão. Depois de uma possível transferência das ilhas Curilas ao Japão questões de fronteiras com países como a China, Estônia e Finlândia podem se intensificar.

Presidente da Rússia fotografado com uma família das Ilhas Curilas.
Foto: www.china.org.cn
 É inaceitável tanto para a liderança política quanto para os cidadãos da Rússia, a maioria dos quais testemunharam os eventos dramáticos do colapso da URSS. A este respeito, pode-se argumentar que num futuro próximo seja improvável que a Rússia mude a sua posição sobre as Ilhas Curilas. No entanto, os japoneses não estão dispostos a ficar por baixo.

 Após o colapso da União Soviética, o Japão perdeu seu papel de "porta-aviões do Pacífico" para os EUA e começou a procurar um novo papel na região. Por um lado, na sequência do colapso do vizinho superpotência, o desejo de trazer de volta o "capturado" território foi reavivado. Por outro lado, a necessidade do Japão de se adaptar ao seu papel que diminui gradualmente para os EUA emergiu. Por isso o desenvolvimento da cooperação econômica entre a Rússia e o Japão ocorreu junto com o endurecimento das exigências territoriais.


 Os japoneses são atraídos pelos recursos naturais das Curilas: 1.867 toneladas de ouro, 9.284 toneladas de prata, o maior depósito do mundo de rênio usado na criação de motores de jato, depósitos de gás natural, petróleo, mar rico em plâncton, e os Estreitos de Vries e Catherine sem gelo. Para o país que sempre teve recursos naturais escassos, a posse destas ilhas poderia desempenhar um papel positivo.

 A Rússia, sentindo a necessidade urgente de atrair o investimento para a sua economia, tem repetidamente proposto a "internacionalização" do projeto ilhas Curilas, visando a criação de uma zona econômica aberta e introduzindo o regime de isenção de vistos para cidadãos japoneses nas ilhas.

Povoado em Shikotan, uma das ilhas do Arquipélago das Curilas.
Foto: www.liveinternet.ru
 Isso abriria um maior acesso às empresas japonesas para o Extremo Oriente russo. Além disso, os dois países acumulariam uma rica experiência de cooperação na Sibéria, onde empresas russas junto com a empresa "Mitsui" lideram o desenvolvimento das jazidas de urânio ELKON, e em Sakhalin Island, onde a "Gazprom", juntamente com o consórcio japonês Japan Far East Gas estão projetando uma planta para processamento de gás natural liquefeito e seu transporte para o Japão.

 O aumento do volume de negócios é bastante óbvio: em 2001 era quatro mil milhões de dólares por ano, e em 2009 atingiu 30 bilhões de dólares. No entanto, no contexto de progresso na cooperação econômica, sobretudo no desenvolvimento dos recursos naturais do Extremo Oriente, é estranho que o Japão não veja a Rússia como um parceiro econômico na Curilas. A Elite política japonesa iniciou a criação da "Associação para a Devolução dos Territórios do Norte", e está elaborando leis que indicam que as Ilhas Curilas do Sul pertencem ao Japão.


 O que está por trás desse paradoxo? Por um lado, as razões devem ser procuradas na natureza da elite japonesa. É um grupo empresarial, muitos de cujos membros descendentes dos políticos do início e meados do século 20 (um exemplo vivo disso é a família Hatoyama, cujo representante Yukio Hatoyama serviu como primeiro-ministro em 2009-2010, e seu avô, Ichiro assinou a declaração de 1956 com os soviéticos).

 "Os novos jogadores" apanhados neste sistema tem que jogar pelas regras estabelecidas. Isto reduz a área de manobra na tomada de decisões, o que explica o empenho dos japoneses para um curso. Uma vez que nos mais altos escalões do poder no Japão, o político deve demonstrar sua unanimidade com o ponto de vista comum, especialmente nos assuntos externos que são extremamente importantes para o Japão.

 A lealdade para com o curso geral é necessária para membros de ambas as Partido Democrata e Liberal-Democrata. Esta é a maneira de incutir as características de grupo necessárias dos políticos japoneses. Como resultado, a experiência tem mostrado que a posição do Japão na questão das Curilas pouco mudou desde que chegou ao poder o Partido Democrata, e no futuro próximo é improvável que seja diferente.


 O segundo ponto importante são as peculiaridades do funcionamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês. Em matéria de assuntos estrangeiros o Ministério das Relações Exteriores é um intermediário entre o principal parceiro econômico do Japão, os EUA, e as empresas japonesas. Por um lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês faz declaração sobre o favorecimento das atividades das empresas japonesas no exterior, e por outro, indica que há limites a observar de modo que os interesses das empresas dos EUA não sejam feridos.

O Arquipélago das Curilas, um conjunto de ilhas vulcânicas pouco povoado.
 Com relação à Rússia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês expressou a posição coletiva da elite política e empresarial do Japão, bem como parte das corporações transnacionais e dos EUA, que também tem seus próprios interesses nas Ilhas Curilas. Nenhum amolecimento da posição japonesa é esperado. O tema sobre a propriedade das Curilas do Sul vai continuar por muito tempo a impedir o desenvolvimento das relações russo-japonesas.

 Após um grande terremoto em 11 de março de 2011 e os acidentes da usina de energia nuclear "Fukushima," a crise de energia do Japão eclodiu aumentando a demanda por energia importada. Nas atuais circunstâncias, a Rússia irá se tornar um grande fornecedor de gás para o Japão, proporcionando uma oportunidade para a recuperação gradual do país. Isso foi discutido durante as conversações entre o primeiro-ministro do Japão Noda Yosihiko com Vladimir Putin, em setembro do ano passado.


 No entanto, nenhum progresso ocorreu no sentido de resolver a questão territorial, e os ministros mais uma vez, tocam apenas sobre a necessidade de resolver este problema. A necessidade de novas fontes de energia para o Japão também aumentou devido às ameaças do Irã ao bloqueio do Estreito de Hormuz e, assim, a interrupção do fornecimento de petróleo (87,1 por cento das importações japonesas são do Oriente Médio). A Rússia, segundo os especialistas, pode cobrir aproximadamente 10 por cento das necessidades de importação do Japão. No entanto, Tóquio não concorda com as propostas russas.

 Em março passado, o enviado presidencial do Distrito Federal no Extremo Oriente Viktor Ishayev disse que a Rússia fez ofertas a um número de países da região Ásia-Pacífico para o desenvolvimento conjunto das Ilhas Curilas, e se as empresas japonesas não participarem, outros investidores da América, China, Brunei, Singapura e Malásia serão atraídos.


 Isto significa que se o Japão, como antes, não concordar, em participar conjuntamente do desenvolvimento econômico das Curilas, mantendo-os dentro da Federação Russa, corre o risco de perder sua posição de liderança no Extremo Oriente da Rússia e além disso agravar o estado crítico da economia. Mas a elite japonesa não reagiu a este aviso.

 A questão territorial para o Japão não é apenas um desacordo com a Rússia (e não somente com a Rússia, disputas similares ocorrem também com a China e a Coréia do Sul) sobre a posse das ilhas. Esta é uma questão decisiva que determina se ou não o Japão vai ser tão bem sucedido e próspero no futuro, como foi no passado. É também uma questão de mentalidade dos políticos japoneses, que são muito lentos e relutantes em mudar.

Autor: Victor Sukovitsyn


Fonte: http://english.pravda.ru/world/asia/26-01-2012/120335-japan_russia_kuril_islands-0/

Últimas postagens

posts relacionados (em teste)

Uma parceria estratégica entre França e Rússia tra ria benefícios econômicos para a Europa?

SPACE.com

NASA Earth Observatory Natural Hazards

NASA Earth Observatory Image of the Day

ESA Science & Technology