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sábado, 5 de maio de 2012

A Rússia poderia destruir o sistema DAM na Europa mediante ataque preventivo.

Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 04 de maio de 2012.



Rússia não descarta, em caso extremo, a possibilidade de lançar um ataque preventivo e destruir as infra-estruturas de defesa anti-míssil que os EUA e outros membros da OTAN planejam instalar na Europa, advertiu hoje o general Nikolai Makárov, chefe do Estado Maior do Exército russo.


“A instalação de novas armas ofensivas no sul e noroeste da Rússia (…) incluindo a montagem de sistemas de mísseis Iskander na região de Kaliningrado representa uma das possíveis variantes para destruir a infra-estrutura de defesa anti-missil na Europa”, disse Makárov ao discursar nesta quinta-feira em uma conferencia internacional organizada em Moscow pelo Ministério russo da Defesa.



Makárov afirmou que “a decisão sobre o uso preventivo dos meios de destruição disponíveis ocorreria em um período de deterioração da situação” e considerando “o caráter desestabilizador do sistema de defesa anti-míssil (DAM) que gera a ilusão de um ataque impune para desarmar” o adversário.



Tanto Makárov como o secretário do Conselho de segurança nacional da Rússia, Nikolai Pátrushev, reconheceram hoje que o sistema DAM na Europa será capaz de interceptar até 2020 uma parte dos mísseis balísticos intercontinentais (MBI) instalados no território russo ou a bordo de seus submarinos.


Makárov recordou que os EUA planeja submeter a uma modificação sustancial seus anti-mísseis Standard-3 e por centenas de interceptores a bordo de uns 40 navios. Também fará a instalação de anti-mísseis na Polônia, muito próximo das fronteiras da Rússia.



Destacou que a segurança regional e a global formam “um todo único e indivisivel” e que a dissuasao nuclear recíproca segue desempenhando um papel importante na tarefa de garantir a estabilidade e a segurança em escala mundial.


Em 2010, a OTAN e a Rússia concordaram em colaborar no âmbito da defesa anti-míssil na Europa mas as negociações sobre o assunto se viram estagnadas porque Washington recusa-se a oferecer a Moscow garantias jurídicas de que o futuro sistema DAM não será dirigido contra o potencial russo de dissuasão nuclear.



Nesta situação, a Rússia procurará reforçar a proteção dos silos de lançamento, ocultar na medida do possível a localização dos mísseis nucleares sobre plataforma móvel, subir o grau de alerta para o uso destas armas e assegurar que as ogivas de mísseis balísticos russos sejam capazes de burlar qualquer sistema DAM. Ao mesmo tempo, propõe à OTAN avaliar conjuntamente os planos do escudo anti-míssil na Europa a partir de uma série de critérios estritos, como o número e a velocidade dos interceptores, seu alcance, localização ou capacidade de interceptar diversos foguetes, disse Makárov.



Organizada pela Defesa, a conferencia internacional “Factor DAM na formação de um novo espaço de segurança) reuniu em Moscow mais de 200 militares e especialistas de uma meia centena de países, entre eles, os 28 Estados membros da OTAN, Rússia e outros integrantes da CEI  (Comunidade de Estados Independentes) e a OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coletiva), assim como a China, a Coréia do Sul e o Japão.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A arte da guerra: A escola de preparação da OTAN à guerra seguinte.

Publicado por  dinamicaglobal.wordpress.com em 03 de maio de 2012.


Eis aqui a lição aprendida durante a guerra na Líbia. Os alunos aprovados no exame passam à guerra seguinte.


Contrariamente ao que parece, a OTAN também aprende. «Tira sempre lições de suas operações e isso é o que estamos fazendo com a Líbia» explica o almirante americano James Stavridis, comandante supremo aliado na Europa. Para ele a OTAN dispõe de um centro adequado, o Joint Analysis & Lessons Learned Centre (Jallc): uma espécie de escola, na qual se ensinam as ‘lições aprendidas’.


Assim a OTAN aprende sempre a fazer melhor a guerra. Ao princípio da guerra na Líbia, em março de 2011, o Jallc enviou uma equipe de analistas para acompanhar as operações no centro aliado de comando em Nápoles. As ‘lições aprendidas’ estão expostas num informe reservado, apresentado em fevereiro, e deste o New York Times há obtido agora uma cópia.



O que devem aprender os aliados, principalmente os europeus? Que a guerra contra a Líbia não foi a operação modelo que pensavam, e que foram postas em evidência sérias lacunas. Principalmente, o fato de que os aliados europeus e o Canadá tiveram que contar excessivamente com os Estados Unidos. Inclusive com a ajuda estadunidense, a OTAN, para a guerra eletrônica, só dispunha de 40% dos aviões que se fizeram necessários para esta operação.

Foi os Estados Unidos quem forneceu quase a totalidade das munições mais avançadas tecnologicamente com guia de precisão: 7.700 bombas e mísseis utilizados no ataque à Líbia (das quais uma grande parte seguramente provinham da base americana de Camp Darby, en Pisa). É necessário e urgente acabar com estas lacunas. ‘O presidente Obama pediu ao Pentágono que prepare opções militares preliminares na Síria.’ 


A Síria dispõe efetivamente de forças armadas e sistemas de defesa aérea mais eficazes, mais difíceis de destruir com ataques aéreos. Além disso, a “oposição” da Síria está mais desarticulada e dispersa que a da Líbia durante a guerra, ‘fazendo mais difícil os esforços dos aliados da OTAN para coordinar-se com os rebeldes». Em consequência, para atacar a Síria, os aliados europeus e o Canadá deveriam 'apoiar-se excessivamente nas capacidades dos Estados Unidos’.
 


Para previsão desta guerra e de outras (na mira está também o Irã), os aliados e o Canadá estão acelerando sua capacidade militar. Nesta ocasião ocorrerá o acordo, concluído em fevereiro deste ano, de criar em Sigonella (Sicília) o sistema AGS (Alliance Ground Surveillance) que, conjuntamente com os drones Global Hawk instalados nesta base, procurará à OTAN um quadro detalhado dos territórios a atacar, permitindo assim atacar veículos em movimento.

Imediatamente depois, em março, os ministros europeus de defesa se puseram de acordo num ‘plano ambicioso’ que acabaría com outra lacuna: a insuficiência de aviões para prover o voo dos caça-bombardeiros, que durante a guerra na Líbia foi realizado em grande parte pelos Estados Unidos.




Bravo, vocês compreenderam a lição – dizem os analistas do Jallc -, têm que implicar-se muito mais: ‘A compra de aviões e de aparelhos eletrônicos caros vai levar anos para concluir’.



Autor: Manlio Dinucci


Traduzido do francês ao espanhol por Boltxe kolektiboa, La Haine.org


Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

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