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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Especialistas russos preparam missão a Marte.

Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 29 de maio de 2012.


Os especialistas russos preparam-se para criar, durante este ano, a primeira maquete funcional de uma central nuclear de potência megavática para voos espaciais de longa distância.


O módulo de transporte nuclear será o contributo tecnológico principal da Rússia para a expedição internacional a Marte.


O enigmático planeta vermelho ainda não abriu mão dos seus segredos. Os primeiros planos realistas de voos tripulados a Marte foram concebidos no final da década de 60 do século passado, mas no geral a humanidade continua a marcar passo na órbita terrestre. É que os reatores químicos tradicionais para foguetão são inadequados para viagens interplanetárias prolongadas, segundo afirma Alexander Zhelezniakov, membro da Academia Russa de Cosmonautica Ziolkovski:


“Por esse fato, as naves espaciais enviadas da Terra para os planetas distantes demoram muito tempo a antingi-los. Em primeiro lugar, esses vôos são pouco numerosos. Em segundo lugar, os próprios aparelhos espaciais são de pequenas dimensões e de massa reduzida.”


Os motores nucleares para foguetão (MNF) são uma excelente alternativa aos motores atuais a combustível sólido ou líquido. Os MNF começaram a ser concebidos há mais de meio século na URSS e nos EUA. Ambos funcionavam pelo mesmo princípio: o agente ativo (hidrogênio líquido) era aquecido no reator nuclear e ao ser ejectado pelos bocais provocava o impulso. Apesar das modernizações, esses motores nunca sairam da Terra. Uma das razões para isso é o elevado risco de explosão do reator em caso de sobreaquecimento e o escape de elevadas doses de radioatividade. O novo projeto russo de um módulo de transporte a energia nuclear resolve de forma radical o problema de segurança. A nave prevê utilizar motores eletroreativos iónicos em que o impulso é criado por um fluxo de iões acelerado por um campo elétrico. O reator nuclear apenas produz a corrente necessária ao funcionamento do motor elétrico, explica Yuri Zaytsev, conselheiro académico da Academia das Ciências de Engenheria da Rússia.


“O motor nuclear possui uma série de vantagens pela sua potência e independencia, podendo a sua energia ser usada tanto para o propulsor, como para a manutenção do funcionamento da nave e para a resolução de outros problemas.”


Planeja-se a utilização de centrais nucleares para impulsionar as sondas de investigação que se destinam aos planetas longínquos, funcionando como se fossem rebocadores espaciais. A prazo, também se poderá falar em viagens espaciais tripuladas, incluindo a Marte. No entanto, considera Yuri Zaytsev, não será para breve: só para além de 2050. E o problema maior será proteger os cosmonautas da radiação ionica mortal.


“Como ainda só voamos em órbitas circum-terrestres, estamos protegidos pelo campo magnético da Terra das partículas com carga pesada do espaço exterior. Um dos elementos electrônicos da estação Phobos-Grunt foi avariado precisamente pelas particulas pesadas. Se uma partícula atravessasse um ser humano, isso ser-lhe-ia fatal.”


Neste momento uma viagem tripulada a Marte é apenas uma perspetiva atraente. Os cientistas russos consideram necessária a tentativa de enviar mais uma missão a Phobos, satélite de Marte. Prevê-se para 2018 o envio a Phobos do aparelho espacial Bumerang que será uma versão ligeira da estação inter-planetária automática russa Phobos-Grunt.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Protótipo de novo míssil balístico intercontinental testado com êxito na Rússia.

 Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 26 de maio de 2012.


No dia 23 de Maio, foi efetuado com sucesso o lançamento de um protótipo de míssil balístico intercontinental (ICBM) a partir do cosmódromo de Plesetsk, distrito de Arkhangelsk.

Os objectivos do lançamento foram alcançados, tendo a ogiva de teste atingido a zona programada no polígono de Kura na peninsula de Kamchatka, o que foi comunicado pelo porta-voz oficial das Forças de Misseis Estratégicos (FME).

O lançamento foi efetuado a partir de uma plataforma de lançamento móvel por guarnições conjuntas das FME e das Forças espaciais. O objectivo essencial consistiu na obtenção de dados experimentais que confirmassem as soluções científico-técnicas e tecnológicas escolhidas para a conceção deste ICBM. Neste caso deve tratar-se de um ICBM de ogivas manobráveis, refere Viktor Yesin, vice-presidente da Academia para os Problemas de Segurança, Defesa e Ordem Pública:

“Essas ogivas podem alterar a sua trajectória de voo variando tanto a altitude como os desvios laterais, o que dificulta a previsão do ponto de impacto com o anti-míssil destinado a atingir essa ogiva. Ou seja, a sua trajectória torna-se imprevisivel para as baterias anti-míssil, o que reduz drásticamente a capacidade da defesa anti-míssil para intercetar esse tipo de ogivas”.

Também o aumento da velocidade e da quantidade de ogivas abre novas perspetivas para ultrapassar a defesa anti-míssil. Os mísseis que transportam, por exemplo, dez ogivas em vez de uma têm uma capacidade muito superior de ultrapassar o sistema de defesa e é por isso que são fabricados os ICBM de ogivas múltiplas. Já há muito que se trabalha na superação dos sistemas anti-míssil do adversário existentes e em elaboração, nota Viktor Baranets, comentador militar do Komsomolskaya Pravda:

“Não é nenhum segredo que possuímos ogivas manobráveis hipersónicas. Neste momento trata-se de aumentar as suas capacidades considerando o sistema anti-míssil, assim como os novos níveis de defesa, que os EUA e a NATO planeiam instalar na Europa até 2020. Este lançamento já se inclui na preparação para uma reação adequada aos planos que estão a ser elaborados pelos EUA e pela OTAN”.

De acordo com os peritos, o protótipo que foi agora lançado com sucesso utiliza o mesmo know-how incorporado nos mísseis Topol-M, Yars e Bulava.

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