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sexta-feira, 16 de março de 2012

Rússia exige condições para oferecer caças à China

Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 15 de março de 2012.



China tem planos de comprar da Rússia uma quantidade de caças modernos, mas como de costume a China copia e desenvolve a fabricação própria do material bélico estrangeiro sem autorização prévia do fornecedor atrasando a concretização do contrato.


Duas vantagens ao Império Celeste


A Rússia está a ponto de firmar um dos maiores contratos de compra e venda de caças nesta década. “As partes estão quase a estabelecer o número de aviões para o fornecimento. A China anunciou sua disposição de comprar 48 caças polivalentes Su-35, informou em 6 de março passado o diário russo Kommersant citando fontes do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar de Rússia.


Trata-se do modelo Su-35S destinado à exportação. É a versão modernizada do Т-10BM desenhado pela oficina de projetos Sukhoi que passaria a ser um dos melhores aviões de combate no mundo.


Esta plataforma serviu como base para o desenvolvimento dos caças interceptores Su-27, caças multifuncionais Su-30, caças Su-33 e caças bombardeiros Su-34.

O Su-35S é um caça da geração 4++ e de fato é o apogeu do desenvolvimento dos aviões da quarta geração.

Em 2008, esse avião realizou seu primeiro vôo e, em virtude do contrato firmado no Salão Aeroespacial MAKS 2009, a Força Aérea da Rússia deve receber 48 caças Su-35S.

Em 2011, os primeiros caças fabricados em série já estão sendo entregues ao Exército do Ar russo para testes.

Mas o contrato potencial de exportação dos caças anunciados enfrentam um grave problema no âmbito da cooperação militar russo-china, pois a China copia ilegalmente o material bélico exportado.

Cooperação com países asiáticos

Nos anos noventa havia dois canais importantes pelos quais a Rússia exportava seus produtos aeronáuticos.

O grupo aeronáutico russo Irkut, que fabricava os caças polivalentes Su-30MKI, fornecia sua produção à Índia. o outro país interessado na compra de aviões russos foi a China.

Em 1996, a empresa fabricante de aviões russa Sukhoi entregou à China 46 cazas Su-27SK fabricados na cidade de Komsomolsk em Amur (Extremo Oriente russo).

Em 1998, a Rússia começou a trabalhar no contrato de montagem de 200 caças a partir de peças fabricadas na Rússia, com um paulatino aumento da cota de componentes fabricados na China.

Em 2000, a Força Aérea chinesa incorporou nos seus arsenais 73 caças polivalentes Su-30MKI, e em 2004, a Armada chinesa recebeu a versão modernizada do Su-30MKI (24 aviões) projetado para detectar, vigiar e destruir alvos sobre a superfície do mar.

É evidente que a cooperação militar com a China era de importância especial à Rússia. Mas na metade da década passada Moscow interrompeu o fornecimento de armamento e material bélico à China.

Caças Sukhoi fabricados na China.

A Rússia interrompeu a montagem de caças interceptores Su-27SK (J-11, segundo a classificação chinesa) na China sem cumprir o contrato. Após a montagem de 95 aviões dos 200 previstos até 2003, os fabricantes decidiram terminar o processo.

A China estava descontente com os equipamentos, considerando-os insuficientemente modernos. E a Russia se opôs à prática tradicional aplicada pelo país asiático de modernizar o material bélico sem concordar com os desenvolvedores.

A empresa aeronáutica russa Sukhoi se negou a dar sua aprovação para a fabricação do J-11B, a versão chinesa do Su-27SK. Por sua parte, Pequim renunciou à compra da versão russa mais moderna, o Su-27SKM, proposta pela Sukhoi.

A montagem se interrompeu, mas a China continuou fabricando os caças por sua conta. Atualmente o Exército do Ar e a Armada chinesa estão dotados com mais de 160 aviões desse tipo e, tendo em conta os respectivos pedidos para sua fabricação, seu número poderia subir a uns 250.

Esse não é o único caso em que a China tem infringido os direitos de propriedade para a fabricação de armamento. As copias ilegais de material bélico aparecem regularmente no gigante asiático. Durante os últimos anos, foram detectados muitos equipamentos pirateados nos aeródromos chineses.

Por exemplo, o avião J-15, desenhado para o futuro porta-aviões chinês Shi Lan, o antigo Variag soviético, é uma cópia do caça Su-33 entregue à China pela Ucrania.

O J-16 vem após a tentativa de fabricar o Su-MK2.

Desde principios dos anos 2000, Pequim renunciou às compras massivas de armamento russo, preferindo firmar contratos para a importação de pequenas quantias para submeterem a testes. Na realidade as utilizou para copiar e reproduzir as tecnologias.

Isto é inaceitável à Rusia. Agora a China só pode contar com contratos para a importação de grandes itens, porque a renda recebida de sua venta poderiam compensar os fabricantes russos pela cópia inevitável de suas tecnologias. 

Capacidades da indústria aeronáutica chinesa.

Desde os anos noventa, os chineses tentam o acesso às tecnologias de fabricação do material bélico da Rússia. Mas seriam capazes as empresas aeronáuticas chinesas de fabricar as cópias do material bélico que possam competir com as versões originais?

A indústria de alta tecnologia é o setor que até hoje em dia ninguem conseguiu inventar nada sem passar por todas as etapas anteriores do desenvolvimento tecnológico.

O milagre econômico do Império Celeste pode nos admirar, mas o atual nível tecnológico da China não lhe permite reproduzir muitas das tecnologias que está disposta a oferecer Rússia ao pirata asiático.

O problema principal é o atraso da China na construção de motores. “A China alcançou grandes êxitos ao aprender a piratear caças soviéticos ou russos, mas não soube desenvolver motores confiáveis para esses aviões e os compra da Rússia”, disse a RIA Novosti o diretor da publicação ‘Export vooruzheni’ (Exportação de armamento), Andrei Frolov. Além disso, a indústria de Defesa da China “é incapaz de dotar seus caças com uma aviônica de fabricação nacional”.

A explicação para isso está em que os motores de turbo-propulsão que os aviões utilizam estão no topo do desenvolvimento de complicadas tecnologias e ciência fundamental aplicadas no campo dos materiais especiais, ligas e métodos de tratamento.

A China cessou de comprar os caças Sukhoi, mas segue firmando contratos para a importação de muitos itens de motores russos AL-31F, e os utilizam para a construção dos equipamentos pirateados.

Além disso, os chineses compram grandes peças em grande quantidade para a montagem dos motores, o que torna impossível copiar sem criar uma escola especial de física e química aplicada. 

Comprar menos, copiar mais.

O que o Su-35 tem a ver com tudo isso? A bordo deste equipamento fabricado pela indústria aeronáutica russa foram testadas muitas novas tecnologias com as que posteriormente foi equipado o caça russo de quinta geração T-50. Por isso o processo de desenvolvimento do Su-35 foi tão importante.

A China quer adquirir o processo seguinte da tecnologia aeronáutica russa. Trata-se de um projeto principalmente novo, radares e o novo motor AL-41F1S, no qual se provaram as soluções para o motor que se utiliza no caça T-50, enquanto seguir os trabalhos para criar o motor de segunda etapa para o avião de quinta geração.

Isto provoca um grande interesse pelo Su-35 e obriga Moscow a tomar precauções. Rússia está disposta a oferecer esses caças a China, mas entende as possíveis consequências disto. Assim, o volume mínimo de caças fornecidos à China deve ser demasiado alto para compensar as perdas que sofreria a Rússia caso a China copie o equipamento.

É difícil predizer se a venda de 48 caças seria suficiente para conseguir este objetivo. É evidente que seria melhor firmar um contrato para o fornecimento de uns 100 caças e concordar os termos para a entrega dos equipamentos. Seria inoportuno mostrar a Pequim todas as novidades.

Mas inicialmente a China planejava adquirir somente 10 ou 12 caças. A julgar por isso, se a Rússia entrar em acordo com a China para o fornecimento de uns 50 equipamentos, isso seria um êxito. Ainda mais, que caso esse contrato seja assinado, o caça Su-35 terá seu caminho aberto ao mercado internacional.

Sendo a versão mais moderna dos caças de quarta geração, este avião poderia gozar de demanda no mercado de armas durante muitos anos. E o primeiro bom contrato que faria melhorar as perspectivas do armamento e do material bélico imediatamente a ganhar as licitações abertas.

Fonte: Ria Novosti

quarta-feira, 14 de março de 2012

A nova estratégia militar obriga os EUA estar em todas partes com menos orçamento.

Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 13 de março de 2012.

A nova estratégia militar anunciada na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirma que os planos do governo norte-americano é seguir sendo a primeira potência bélica do planeta para conter a expansão de China e outros países com economias mais pujantes.

Entre os pontos chaves da estratégia, especialistas na Rússia destacaram a renúncia de Washington às guerras prolongadas e custosas como as que empreenderam no Iraque e no Afeganistão, e a redução considerável dos efetivos do exército de terra e do pessoal da marinha.

Em condições de elevado déficit fiscal e cortes de orçamento, a Casa Branca e o Pentágono não tiveram outra opção senão renunciar à exportação de guerras, sobre tudo quando o custo das intervenções no Iraque e no Afeganistão foram estimadas por especialistas dos EUA entre 3,2 e 4 bilhões de dólares.

A nova estratégia prevê que em caso de guerras, os EUA utilizará menos tropas e operações em terra, enquanto reforçará a aviação de combate, os aviões sem piloto, o armamento automatizado moderno, as guerras cibernética e espacial.

Quanto à projeção geográfica, os especialistas destacam uma reorientação até a zona Ásia-Pacífico, em especial o sudeste asiático para conter a expansão geopolítica da China, nas atuais circunstancias, o principal rival dos EUA.

Ante a necessidade de contrapeso a Pequim e outros adversários de importância como o Irã, a estratégia militar norte-americana pleiteia a necessidade de reforçar a capacidade de combate e a mobilidade da sua frota de submarinos, a criação de novos modelos de bombardeiros invisíveis, o desenvolvimento de novos sistemas de defesa anti-míssil e a ampliação da frota de satélites de navegação e posicionamento.

A presença militar dos EUA na Europa vai adquirir um novo formato em volta do sistema anti-mísseis DAM  com estacões de radar, bases de mísseis interceptores implantados em terra, navios de superfície e submarinos.

EUA manterá sua presença militar no Oriente Médio e no Golfo Pérsico sobre tudo nas atuais circunstâncias de instabilidade pela consequência das revoluções no mundo árabe, a crescente influência do extremismo islâmico e o terrorismo.

No que se refere a outros países, o Pentágono reafirmou seus planos de continuar os programas de cooperação no âmbito da não proliferação nuclear, segurança regional, luta contra o narcotráfico e o crime organizado, mediante a realização de manobras conjuntas e missões permanentes de peritos militares dos EUA no território dos países amigos.

Ao comentar a viabilidade da nova estratégia militar, alguns observadores russos indicaram que o principal obstáculo para sua realização é o desconhecimento do seu custo, em momentos em que são muito reais as limitações do orçamento.

O que acontece é que o programa da estratégia todavia não está pronto e se espera que um primeiro esboço será apresentado para consideração do Congresso no próximo mês de fevereiro. Para então, será possível conhecer os parâmetros básicos do pressuposto de defesa para 2013.

Para os militares uma tarefa bastante complicada,  porque sobre o Pentágono pende um corte estimado em pelo menos um bilhão de dólares nos próximos dez anos.

E isto pode ocorrer de forma automática, segundo um mecanismo de corte do orçamento aprovado no fim de 2011, depois de que fracassaram as negociações para a redução de gastos entre democratas e republicanos.
Segundo esse acordo, o Pentágono sofrerá um corte de pelo menos 500 Bilhões de dólares, além de outro corte já aprovado anteriormente de uns  450 bilhões de dólares. 

Após a constatação dos problemas financeiros, alguns peritos militares russos consideram que a estratégia militar anunciada por Obama não é mais que papel molhado.

Num ambiente de campanha eleitoral e de comícios presidenciais para o fim de 2012, o futuro da estratégia militar dos EUA é incerto porque está condicionado em grande parte à conjuntura política interna e outros fatores subjetivos.
Em consequência, esses mesmos experientes aconselham redefinir o debate sobre a estratégia militar de EUA depois dos comícios, quando já se souber o nome do novo inquilino na Casa Branca.

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