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sexta-feira, 13 de julho de 2012

EUA afrontam novamente a China na Ásia.

Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 10 de Julho de 2012.

Tudo aponta para que a Tailândia se junte à lista dos países da região da Ásia e do Pacífico (RAP) onde as tropas americanas têm bases permanentes. Trata-se do aeroporto de Utapao, situado na base principal da Marinha Real tailandesa.

A NASA tenciona transformar Utapao na base aérea do seu programa meteorológico regional. Esses planos foram anunciados pelo secretário de Estado da Defesa dos EUA Leon Panetta em Singapura na conferência regional de segurança, onde também declarou, pela primeira vez, que até 2020 sessenta por cento dos navios de combate e outras forças navais americanas serão transferidos para a RAP. Os observadores ligaram imediatamente esse reposicionamento à intenção do Pentágono em pressionar a China e igualar o seu crescente potencial militar.

Segundo declarou anonimamente um dos professores principais da Academia de Estado Maior da Tailândia, Bangcoque não poderá deixar de se preocupar com a reação da China aos vôos americanos no Sudeste Asiático a partir da base aérea tailandesa. É muito provável que a China possa desconfiar da existência de uma componente de espionagem ao abrigo do programa meteorológico dos EUA.

Essa suposição não está desprovida de fundamentos, tanto mais que em Utanao já existe uma pequena empresa norte-americana que está subcontratada pelo Pentágono e que abastece os aviões da força aérea e os navios da marinha dos EUA que transportam militares e cargas para o Afeganistão e para o Iraque. Existem também dados sobre o setor da base de Utapao ter sido utilizado pelos aviões-fantasma que transportavam para os EUA e para a base de Guantánamo em Cuba cidadãos estrangeiros detidos sob alegadas acusações de terrorismo.

Além disso, os EUA tentam obter da Tailândia a organização da observação aérea conjunta da deslocação de mercadorias e cargas militares do Oriente Médio para o Oceano Pacífico, que é a artéria principal do comércio da China com muitos países de Ásia e África. Esta é a opinião de Andrei Volodin, diretor do Centro de Estudos Orientais da Academia Diplomática do MRE da Rússia:
“Os EUA estão seriamente preocupados com o crescente potencial geoeconômico da China, que poderá transformar-se numa influência político-militar, por isso eles tentam reanimar o sistema de ligações que existia nos anos da guerra fria. A questão é a seguinte: ou os EUA conseguem repetir a sua estratégia de contenção do comunismo, neste caso da China nas novas condições, ou terão de realizar essa estratégia com métodos de compromisso.”

Tudo indica que a segunda variante é inaceitável para os EUA. Eles também têm planos para regressar à base aérea de Cam Ranh no Vietnã que abandonaram depois da derrota na guerra da Indochina, assim como à sua antiga base de Subic Bay nas Filipinas. Os peritos acreditam que a presença de militares norte-americanos nessas bases será uma realidade no futuro próximo.

sábado, 26 de maio de 2012

A OTAN anuncia a implantação da primeira fase do escudo anti-mísseis na Europa.

Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 21 de maio de 2012.


O secretário geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, anunciou durante o encontro da organização em Chicago que a Aliança concluiu a instalação da primeira fase do escudo anti-mísseis na Europa, projeto que provoca mal-estar e receios na Rússia.


“O definimos como capacidade operativa provisional. É o primeiro passo até nosso objetivo a longo prazo de dar uma proteção completa a todo o território, a população e às forças armadas da Europa”, afirmou Rasmussen.

O chefe da Aliança atlântica recordou que o objetivo de criar um escudo anti-mísseis no território europeu se planeja há 18 meses no encontro de Lisboa.


Segundo explicou a RIA Novosti uma fonte da OTAN, a capacidade interina supõe que a Aliança dispõe do sistema de mando e controle, assim como dos padrões para um funcionamento conjunto dos sensores e radares facilitados pelos aliados para uma defesa eficaz.

Ao mesmo tempo, Rasmussen insistiu que a Aliança continuará dialogando com a Rússia, que se opõe à implantação do sistema por falta de garantias jurídicas de que não afetará a capacidade de suas forças estratégicas.


“É uma decisão da OTAN, mas convidamos a Rússia para cooperar no âmbito da defesa anti-mísseis e este convite segue vigente. Espero que em algum momento a Rússia se dê conta de que a cooperação na defesa anti-mísseis responde a nosso interesse comum”.


Por outro lado, o responsável do bloco militar anunciou a colocação em marcha de um sistema de vigilância terrestre (AGS) que permitirá vigiar o território inimigo com ajuda de uma rede de radares e aviões espiões.


“Hoje tem se firmado um contrato para a compra de cinco drones que permitiram a nosso mando identificar as ameaças, determinar os objetivos e ver o que se passa em todo o horizonte a qualquer momento”, informou Rasmussen.


Segundo está previsto, o sistema AGS, que contarão Bulgária, República Checa, Estônia, Alemanha, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Romenia, Eslováquia, Eslovênia e EUA, entrará em serviço operacional em 2017.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Irã e sua importância estratégica.

Publicado por dinamicaglobal.wordpress.com em 08 de maio de 2012.

 
A República Islâmica do Irã, a qual costumamos nos referir simplesmente como o Irã, está localizada de maneira tal que seu território ocupa tanto a Eurásia como o Oriente Médio. O Irã faz fronteira com o Iraque do lado noroeste, sendo que a Turquia fica um pouco mais acima deste mesmo lado. 

O Afeganistão e o Paquistão são vizinhos fronteiriços ao leste, sendo que ainda mais adiante para o mesmo leste encontra-se a China. Ao norte própriamente dito encontra-se a Rússia.

O território o Irã é banhado por quase todos os lados por águas de mares, golfos, estreitos e lagos de uma grande significância política para o transporte do petróleo mundial. Trata-se do Golfo Pérsico, do Golfo de Omã – onde o estreito de Hormuz está localizado ligando esses dois braços marítmos – do Mar Árabe e finalmente do Mar Cáspio. Sua posição poderia dificilmente ser mais central, quanto as rotas marítmas que abastecem o mundo com o petróleo.

A capital do Irã é Teerã, que também é o maior centro cultural-político-econômico do país. A civilização persa é uma das mais antigas do mundo sendo que sua medicina, astronomia, matemática assim como artes, literatura e filosofia formaram os fundamentos do mundo moderno, tendo sido também este o contexto no qual a Identidade Islâmica se desenvolveu.

Sua população atual é de 79.000.000 de habitantes sendo que o padrão de vida é alto. De 1900 à 1950 o país foi dirigido por uma monarquia constitucional, ou seja já obedecendo as leis de um governo parlamentárico. Há aqui também um monarca que foi deposto por não agradar ao poder colonial britânico e seus interesses econômicos em relação ao petróleo do país. As companhias de pretróleo dos interesses britânicos não estavam satisfeitas e o monarca simplesmente perdeu seu poder e sua base poliítica a favor dos interesses britânicos.

O filho do acima mencionado monarca pode então retomar o poder, bem mais tarde, através de um golpe-de-estado, em1953. Este golpe-de-estado se efetuou abaixo dos auspícios da mesma Inglaterra, agora ajudada pelos Estados Unidos. Quanto a Inglaterra tudo estava sendo feito para o bem da sua principal companhia petrolífera de então. O governo que tomou o poder abaixo dos auspícios da Inglaterra e dos Estados Unidos foi o governo do monarca que conhecemos como o Shah do Irã.

Esta pode ter sido a primeira vez que os Estados Unidos agiram ativamente na arena internacional, nesse caso através de um golpe-de-estado, para derrubar um governo que não se lhes subjugava.

O último caso consumado, neste sentido, foi a guerra da Líbia que é um país do norte da África. A guerra da Líbia foi imediatamente seguida por um resurgimento armado com muito envolvimento “estrangeiro” por todo a faixa petrolífera que fica localizada mesmo abaixo da que podemos chamar de faixa norte da África.

Todos os países africanos da abrangente faixa petrolífera encontram-se agora, depois da caída do governo da Líbia pelas mãos da OTAN, em guerra aberta ou dissimulada, guerras estas de maior ou menor intensidade. A mídia ocidental continuando surda e muda como sempre.

A Síria ainda temos na encruzilhada do destino, a espera de uma definição.

Mas voltando ao Irã de 1953. No Irã então, as manipulações da instalação do sistema político dirigido pelos interesses econômicos coloniais-imperialistas da Inglaterra e dos Estados Unidos fizeram com que uma oposição iraniana, contra as manipulações estrangeiras, se fizesse notar. Esta oposição culminou na revolução popular de 1979, que estabeleceu a República Islâmica do Irã no governo do país.

O Irã é muito importante para a segurança energética do mundo, assim como para sua economia global. A reserva de gás natural do Irã é a segunda maior do mundo, e a sua reserva de petróleo é a quarta maior do mundo.

De acordo com Yuri Baranchik [1], a República Islâmica do Irã tornou-se num poder regional de peso e o Irã ocupa agora uma posição estratégica muito importante devido a uma série de fatores. Em relação a segurança energética ressaltou-se então:

1) sua localização estratégica
2) seus impressionantes recursos naturais
3) seu acesso marítmo as rotas de frete de carga
4) seu potencial para poder integrar diversos fatores numa teia de comunicações favoráveis ao desenvolvimento econômico da Eurásia.

De acordo com o autor temos que a lógica das relações internacionais contemporâneas se baseia na primazia dos Estados Unidos, primazia esta tendo que ser constantemente reafirmada.

Deste modo temos que tanto as elites do Partido Democrático (liberal intervencionista) quanto as elites do Partido Republicano dos Estados Unidos aderem a idéia de que a força militar é a melhor forma de política exterior para o seu país. Neste cenário as fronteiras e as soberanias nacionais perdem, da perspectiva bélica dos mesmos, os seus contornos e o seu significado tradicional . No caso do Oriente Médio para eles quanto maior for o território do que denominam como o “Grande-Oriente Médio”, tanto melhor.

Um “Grande-Oriente Médio” significa, aos olhos dos acima mencionados, um Oriente-Médio como uma gigantisca base militar americana, e isto no coração da Eurásia. Um político “Grande Oriente- Médio significaria então para os Estados Unidos:

1) um quase que total controle sobre o preço do gás e do petróleo.
2) um domínio político-econômico sobre os poderes regionais da Eurásia, ou seja, a China, a Índia e a Rússia.

A Rússia, A China, a Índia e o Irã. Nesses quatro poderes regionais sustenta-se a balança estratégica, não só da Eurásia, como também da balança estratégica mundial.

Quem ainda consegue acreditar que é o aspecto ou a perspectiva de um Irã nuclear que incomoda os Estados Unidos [e por consequência seus irmãos em armas]? A China tem muito mais para incomodar os Estados Unidos a esse respeito do que Irã nunca teria, mesmo se o Irã viesse a ter um relativamente pequeno arsenal nuclear. O único provável alvo para um Irã com armas nucleares seria da perspectiva do autor, e assim também como da minha, Israel. O autor ressalta então que neste caso o próprio Irã iria, de certeza, transformar-se numa total catástrofe nuclear. A história, a experiência e a lógica nos mostram claramente que isto não faz sentido.

O problema é então, outro. O próprio fato de um Irã com uma capacidade tecnológica incluindo o domínio do setor da energia nuclear representaria uma derrota política para os Estados Unidos no contexto da situação, e ainda por cima uma prova concreta da possibilidade atual e realística de um mundo multipolar, mundo multipolar este com diversos centros de poder político-econômico em cooperação conjunta, ou concorrência.

Mas é isso aí. Isto não só acabaria com a primazia dos Estados Unidos, como também mostraria com toda a desejável clareza as bases periclitantes dos arranjamentos nos quais o complexo industrial-militar estabelece os Estados Unidos como uma super-potêmcia e o dólar como a única realmente internacional moeda-de-reseva. Isto quer dizer a moeda destinada a compras e vendas no mercado internacional e isto então muitíssimo especialmente quanto a compra e venda do petróleo e seus derivados no mercado internacional.

A economia atual dos Estados Unidos é propulsionada por um empréstimo desenfreado no mercado financeiro e esta não teria grandes chances de sobreviver com uma liderança americana enfraquecida. A supremacia dos mesmos se tornaria em coisa do passado. Ao meu ver um passado a ser esquecido, depois de bem analizado e entendido.

O autor Yuri Baranchik argumenta ainda que não é a necessidade do petróleo própriamente dito que motiva as ações dos Estados Unidos no contexto aqui estudado. O que motiva as ações dos mesmos é a sua necessidade de controlar tanto o mercado petrolífero como o preço do petróleo no mercado internacional.

Os Estados Unidos tem fontes próprias para seu consumo energético doméstico. Portanto quanto as suas sanções que agora levam o preço do petróleo às alturas, isto não os afeta diretamente, se visto deste específico aspecto.

No entanto, as sanções unilaterais americanas, que eles ainda tentam chantagear outros países a também imporem, faz por outro lado que as economias da União Européia assim como a da China e da Índia, entre outros países, venham a sofrer as consequências. Eles mesmos pretendendo passar ao largo da tempestade.

É interessante notar aqui a triste figura que a União Européia é compulsionada a apresentar, também neste caso como em muitos outros.

O autor ressaltou então que poder controlar o Irã politicamente significava para os Estados Unidos o mesmo que poder controlar o fornecimento energético da China e da Índia.

Nos tempos coloniais de outrora os países europeus só podiam adquirir suas importações coloniais através de um revendedor global, o qual conhecemos hoje em dia como a monarquia britânica.

Um controle do mercado e do preço do petróleo facilitaria ainda por cima uma marcha dos Estados Unidos a uma superioridade tecnológica sobre seus competidores, concluiu Yuri Baranchik.

Ressaltamos então aqui que Irã é um membro fundador tanto da ONU quanto da OPEP – Organização dos Países Produtores de Petróleo. A importância do Irã não acaba com a sua importância estratégica. 

A importância internacional do Irã também se mostra na sua posição atual como um símbolo da luta pelo direito da auto-determinação dos povos e da primazia da lei e do direito a ser exigidas nas relações internacionais.

REFERÊNCIAS E NOTAS:

[1] Yuri Baranchik, “Will the U.S. Launch an Agression Against Iran?” no jornal on-line da Strategic Culture Foundation – www.strategic-culture.org

Autora: Anna Malm, correspondente na Europa de Pátria Latina e Irã News.

fonte: http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=8095

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