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terça-feira, 5 de julho de 2011

Mudanças no regime iraniano e as implicações da guerra secreta.


"Mudança no Regime" no Irã ou Guerra Total?
O tabuleiro de xadrez geopolítico está se alinhando para um enfrentamento com o Irã e seus aliados do Bloco de Resistência. Este é somente um teatro dentro da luta mais ampla pelo controle da Eurásia. No processo existe um esforço por parte de Washington e seus aliados de manipular o Islã e subordiná-lo aos interesses capitalistas dando impulso a uma nova geração de islamistas entre os árabes.
Pressão sobre o Irã: Oportunidade para os Estados Unidos, a OTAN e Israel?
 O sistema político do Irã é complexo e existem múltiplos pólos opostos de poder. Em 2009, o mundo já viu uma luta interna entre a classe governante. As divisões apareceram durante os protestos que se produziram depois das eleições presidenciais, quando foram apresentadas as acusações de fraude.
 A presidência de Mahmud Armadineijad (que teve início em 2005) estava em conflito com importantes setores da classe política do Irã. Sua relação tem sido sempre tensa com os outros pólos de poder em Teerã. Em 2011, a presidência do Irã entrou em crescente conflito com o Parlamento, o Poder Judiciário, e o aiatolá Alí Jamenei.
 No marco destas tensões políticas, estava se formando outra luta política interna no Irã. Desta vez, o centro da atenção é Esfandiar Rahim Mashaei. as opiniões de Mashaei, quem é conhecido como um político conservador, estão em desacordo com outros conservadores, especialmente as autoridades cléricas. Em 2009, Mashaei deu um discurso onde disse que o Irã era amigo de todos os povos do mundo, incluindo o povo israelita, e que Teerã se opunha ao regime de Tel Aviv, e não ao povo de Israel. Este discurso foi reprovado pelo ayatolá Jamenei.
O complexo sistema político iraniano.
 Em julho de 2009, o presidente Armadineijad, tratou de nomear a Mashaei como primeiro vice-presidente do  Irã, mas a decisão foi refutada pelo parlamento iraniano. Armadineijad se viu obrigado a nomear a Mohamed-Reza Rahimi como primeiro vice-presidente. Ele ficou no lugar de Mashaei e foi nomeado chefe de gabinete do presidente Armadineijad.
 Em abril de 2011, um escandalo eclodiu quando se publicou que o ministro da Inteligência Heydar Moslehi havia ordenado que Mashaei estivesse sobre alvo de vigilância eletrônica. Armadineijad indignado queria despedir ao ministro da inteligência, mas sua decisão foi vetada pelo ayatolá Jamenei. Enquanto isso, Heydar Moslehi se manteve em seu posto.
 Parece que agora existe um esforço concertado para debilitar ao governo de Armadineijad e para evitar que Mashaei e outros candidatos obtenham um posto. O General Alí Jaffari, comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, declarou publicamente que existem "elementos corruptos" no escritório presidencial que se desviaram dos princípios da Revolução Iraniana. Alí Saidi, o enlace do aiatolá Jamenei no Corpo da Guarda Revolucionária do Irã, também acrescentou sua voz, e disse que Armadineijad e seu bando político perderá todo o apoio a menos que siga comprometido com o ayatolá Jamenei.
 Algum tipo de enfrentamento político paira sobre Teerã. Parece que existe uma crescente lacuna entre os políticos e ideólogos conservadores iranianos. O presidente iraniano e seus aliados políticos pretendem pavimentar o terreno aos seus próprios candidatos nas eleições parlamentares de março de 2012, o que poria uma interdição ao agrupamento atual dos assim chamados conservadores no Parlamento iraniano.
 Além de tudo isto, a morte de Haleh Sahabi, a filha do falecido ex-membro do Parlamento, Ezatollah Sahabi, no funeral de seu pai, acendeu a ira da oposição com ameaças de alimentar e provocar novos protestos.
 Forças de segurança iranianas estiveram presentes no funeral para evitar que se convertesse em um evento político contra a classe dominante. Em sua presença, Haleh Sahabi foi confrontada por um homem desconhecido, que tomou a imagem que levava de seu pai durante o funeral. Quando ela tentou agarrar ao homem, este lhe deu uma cotovelada tão violenta no rosto que provocou nela um ataque cardíaco.
 Tudo isto poderia somar a favor das mãos dos  inimigos do Irã. Existe uma  guerra secreta contra o Irã em combate por parte de Washington e seus aliados, que inclui o sequestro de iranianos, o assassinato de cientistas iranianos e agentes de segurança, e ataques terroristas nas regiões fronteriças do Irã. As divisões internas que se desdobram em Teerã poderiam ser aproveitadas por seus inimigos. Israel já está mostrando um profundo interesse nestas novas tensões políticas em Teerã.
 Cabe notar que Tel Aviv e Washington estavam se preparando para lançar uma campanha de deteriorização da legitimidade das eleições presidenciais no Irã em 2009 e a utilizaram para explorar as divisões politicas internas no Irã. Isso tinha sido documentado por meios de comunicação israelenses. Além disso, esta é a razão pela qual o congresso norte-americano deu milhões de dólares a pedido da secretaria Rice e do presidente George W. Bush Jr., para estabelecer um escritório de interesses especiais nos Emiratos Árabes Unidos para fazer frente a uma troca de regime em Teerã. 

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terça-feira, 28 de junho de 2011

Rússia e OTAN já vigiam espaço aéreo mas seguem em desacordo com o escudo anti-mísseis.


Como os americanos controlam o espaço sobre o território russo.  Foto: www.gzt.ru

 O sistema de defesa anti-míssil norte-americano na Europa foi o tema principal da reunião do Conselho Rússia-OTAN que aconteceu  nesses dias em Bruxelas e que findou sem avanços notáveis entre as partes envolvidas nesse assunto chave para a segurança.

 Infelizmente, as partes não puderam chegar a um acordo importante sobre os princípios políticos de cooperação entre Rússia e OTAN no âmbito das questões da defesa anti-míssil DAM.

 Moscow se preocupa com a configuração potencial que terá o escudo anti-mísseis europeu até 2020, quando se tornará operacional a terceira fase do projeto que incorporará novos sistemas de interceptação de mísseis capazes de interceptar os mísseis estratégicos russos.

Progresso apesar da falta de compreensão mútua

 A reunião em Bruxelas, com consultas a nível de ministros de Defesa de Rússia e os 27 do bloco coincide com os primeiros exercícios conjuntos na história de Rússia e OTAN contra o terrorismo aéreo.

 Trata-se das manobras  "Vigilant Skies 2011", de 6 a 10 de junho nos territorios da Rússia, Polônia, países do Báltico e zona do mar Negro no marco da Iniciativa para a Cooperação no Espaço Aéreo do Conselho Rússia-OTAN.

 Os pilotos, as unidades de defesa anti-aérea e tropas radiotécnicas da Fuerza Aérea de Rússia, Turquia e Noruega participam no simulado para prevenir ataques terroristas similares ao S-11 e que pilotos estrangeiros aterrizem na Praça Vermelha, próximo do Kremlin, como fez o alemão Mathias Rust em 1987 ao mostrar ao mundo a ineficácia da Defesa anti-aérea soviética.

 Rússia e OTAN pela primeira vez integram seus sistemas de vigilância aérea e controle aerotransportado, etc. É um passo adiante mas desgraçadamente em outros âmbitos se observa a falta de comprensão mútua entre Rússia e OTAN.

 Os militares russos já propuseram aos seus colegas norte-americanos numerosas possibilidades de resolver o problema de defesa anti-míssil, desde a construção de um sistema conjunto no Azerbaijão, com o consentimento de Bakú, até à discussão de detalhes do futuro escudo anti-míssil instalado na Romênia, Bulgária, Polônia, Turquia ou outro país.

 Ultimamente Moscow propos firmar um tratado que estabeleça de forma vinculante que a OTAN nunca possa empregar seu sistema de defesa anti-míssil para neutralizar o potencial nuclear da Rússia.

 O viceministro russo da Defesa, Anatoli Antónov, declarou recentemente que Moscow em nada é contrário à instalação dos elementos do escudo anti-mísseis, mas é devida a imposição de restrições em matéria de velocidade, quantidade e implantação.

 Uma unidade que tem em seus arsenais 200 ou 300 mísseis anti-balísticos não é o mesmo que um sistema de defesa com mil mísseis.

 Durante a cúpula da OTAN celebrada em Lisboa em 2010, o presidente da Rússia, Dimitri Medvédev, propôs uma responsabilidade setorial sobre a segurança anti-mísseis.

 A OTAN destruirá mísseis nas direções Sul e Oeste enquanto que a Rússia controlará a fronteira oriental da Europa.

A OTAN não tem em definitivo uma resposta oficial.

Tudo depende dos E.U.A.

 É evidente que se espera a resposta final dos E.U.A., promotores da iniciativa de criar um novo sistema de defesa antimíssil na Europa originado durante a presidência de George W. Bush e foi modificada pela administração de Barack Obama.

 No entanto, Washington exorta a Moscow confiar na alegação de que este escudo anti-míssil não está destinado a lutar contra a Rússia. Além disso, os Estados Unidos não consideram necessário dar garantias jurídicas à Rússia no âmbito da defesa anti-mísseis.

 Por tudo isso os militares russos estão preocupados, já que não é um comportamento tradicional para discutir o equilíbrio estratégico de forças.

 O problema reside no fato de que o escudo anti-míssil não é o foco das atenções na agenda presidencial norte-americana. Barack Obama não está interessado em mencionar este tema e menos ainda em fazer concessões à Rússia para dar outro motivo aos republicanos de criticá-lo por haver relegado a um segundo plano os intereses estadonienses e europeus.

 Obama e Medvédev não conseguiram firmar um acordo sobre a defesa anti-míssil na recente cúpula do G-8 na Deauville. Nos dias de hoje, é difícil prognosticar o que ocorrerá no ano seguinte, especialmente depois da última reunião dos ministros de Defesa em Bruxelas. Daqui em diante não acontecerá nenhum progresso.

 É pouco provável que ocorram mudanças drásticas às vesperas das eleições. Ainda não está claro quem continuará o diálogo, já que nem Obama nem Medvédev podem garantir se serão reeleitos.

 E com a chegada ao poder de um candidato do partido Republicano, que tem sua própria visão do futuro sistema de defesa anti-míssil, será ainda mais difícil para a Rússia buscar uma fórmula de compromiso.

 Quando Moscow e Washington abordam o tema da defesa anti-míssil na Europa o “botão de reinício” começa a funcionar mal. A situação geral está longe de ser estável. Por outro lado, seria inoportuno afirmar que não há nenhuma cooperação entre a Rússia e a OTAN.

 Estamos exercitando conjuntamente na prevenção da ameaça terrorista no espaço aéreo e intensificamos a cooperação no Afeganistão. Mas em questão à defesa anti-míssil há um vácuo.

Resultados potenciais do novo encontro

 Não vale a pena dramatizar a situação.  Por enquanto, estamos longe do sistema de defesa anti-míssil na Europa e ainda mais distante das ameaças reais por parte do Irã ou Coréia do Norte em relação a Europa que sirvam de justificativa principal para a criação do escudo anti-míssil no Velho Mundo.

 Durante sua visita a Moscow no outono do ano passado, o secretário geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, declarou que todavia é cedo ainda para se discutir um sistema de defesa anti-mísseis conjunto entre Rússia e OTAN e que é possível que dentro de uns 30 ou 40 anos se desenvolva um sistema que nem sequer podemos imaginar.

 Mas tais declarações não podem e não devem tranquilizar a Rússia. A OTAN já descumpriu suas promessas de não ampliar-se aos países da Europa Oriental, até as fronteiras com a extinta União Soviética. É extraordinário que a Rússia tenha confiado em garantias expressas verbalmente, mas vamos deixar para o encargo de consciência dos que tomaram tais decisões no final dos anos 1980.

 Correm rumores de que o embaixador da Rússia na OTAN, Dmitri Rogozin, recebeu instruções claras do presidente Medvédev para a reunião do Conselho Rússia-OTAN.

 E a julgar pelos resultados, ou melhor pela carência deles, a Rússia defenderá sem ceder um passo os assuntos relacionados com a sua segurança e a estabilidade nuclear estratégica.

 Recordemos que o Conselho Rússia-OTAN começou a funcionar em 2002 como um fórum para as consultas em matéria de segurança e como base para o desenvolvimento da cooperação, nada mais.


Fonte: http://sp.rian.ru/opinion_analysis/20110609/149320023.html


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