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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desconfianças e planos de guerra e paz entre Rússia e OTAN.

Foto: codinomeinformante.blogspot.com

 Menos de um mês após a cúpula de Lisboa, onde Rússia e OTAN fizeram um pacto de renúncia às ameaças e agressões mútuas, a imprensa revelou que o Bloco Atlântico também tem um plano de guerra para lutar contra as tropas russas no caso de invadirem a Polônia e os três Estados bálticos, uma situação que causou grande surpresa em Moscow.

 Esta peculiar mescla de amor e ódio mostra as complicadas relações entre o bloco militar mais poderoso do mundo e a Rússia, um país sem poder econômico significativo, mas ainda chave em questões de segurança mundial.

 Além de confirmar as relações estratégicas entre os parceiros, em Lisboa as partes concordaram em ampliar a cooperação no Afeganistão, onde claramente, a OTAN perdeu uma guerra contra o islamismo radical talibã.

 A cooperação de Moscow é indispensável para a retirada da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (ISAF), que começa a embalagem dos fuzis a partir de junho de 2011.

 Para abordar outros desafios globais, Moscow e Bruxelas também concordam em estudar as variantes da criação de um sistema de defesa antimísseis na Europa, que segundo estrategistas da Europa, deve derrubar mísseis balísticos que poderiam lançar países como o Irã ou a Coréia do Norte.

 A Cooperação entre a Rússia e a Otan abrange outras questões fundamentais como a proliferação de armas nucleares, o combate ao tráfico de drogas, o crime transnacional e a pirataria no Corno da África.

 E além da importância de todos esses objetivos, o medo que a Rússia inspira, na Polônia, Letônia, Lituânia e Estônia assim deturpa de tal maneira a estratégia de segurança da OTAN que, juntamente com a cooperação, o bloco também desenvolve planos específicos para uma guerra contra os russos.

 Sob o nome de "Eagle Guardian", o plano prevê a mobilização de entre 6 e 9 divisões dos americanos, britânicos, alemães e poloneses, incluindo fuzileiros navais e a força aérea da OTAN.

 Proposto por Estados Unidos e Alemanha, o plano foi elaborado no início deste ano e especialistas dizem que foi elaborado a partir dos resultados da guerra de cinco dias entre Rússia e Geórgia, em 2008.

 Os governos do Báltico não apenas recordam como o exército russo em algumas horas expulsou as tropas georgianas do território da Ossétia do Sul, mas também aniquilou quase que pela raíz, a maior parte do potencial militar da Geórgia.

 Então, o Ocidente gritou escadalosamente, alegando que a Rússia usou força desproporcional, mas os militares russos explicaram que só assim poderia impedir tanques, artilharia e aviação da Geórgia atacarem novamente a população da Ossétia do Sul como aconteceu em agosto de 2008.

 A julgar pelos seus resultados, a guerra deixou várias lições claras: que os russos não hesitam em usar a força em resposta aos ataques contra as nações amigas e defender os seus cidadãos e os seus soldados em missões de paz.

 É evidente que a situação ocorrida na Ossétia do Sul é impossível repetir-se em qualquer uma das repúblicas bálticas. A única coisa em comum é que, em média, 20% da população da Letônia, Estônia e Lituânia são descendentes de imigrantes da antiga União Soviética, a maioria dos quais fala russo, sem necessariamente serem todos de nacionalidade russa.

 E de qualquer forma, a Rússia não deve preocupar-se de que essa população "falante do russo" se torne um alvo de tanques, canhões e bombardeiros como a população da Ossétia do Sul, porque as repúblicas bálticas são membras da União Europeia e, em teoria, ali  rege o direito comunitário que não tolera tais abusos.

 A inclusão da Estônia, Lituânia e Letônia na "Eagle Guardian" da OTAN em um período de abertura nas relações pregou uma peça a Moscow, que agora duvida das verdadeiras intenções, especialmente por que todos os planos de guerra do bloco do Atlântico foram descobertos por acidente.

 Foi um dos muitos vazamentos do site Wikileaks que em detalhes divulgou na semana passada o jornal britânico Guardian.

 "Não é possível que a OTAN nos estenda uma mão enquanto que com a outra arquiteta outros planos por trás de nós", comentou o ministro do exterior russo Sergei Lavrov.

 Comentando sobre esta delicada situação, o secretário geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen admitiu que, obviamente, a OTAN elabora planos para defender os Estados membros contra qualquer ameaça.

 Ele acrescentou que o novo conceito estratégico adotado pela OTAN em Lisboa, por um lado visa a desnuclearização do mundo a longo prazo, mas reconhece a necessidade de alguma "capacidade nuclear" como parte de sua política de dissuasão, "enquanto existam armas nucleares", em aparente referência ao arsenal nuclear da Rússia.

 Ou seja, a Rússia e a OTAN declararam amizade, compreendem que a cooperação é indispensável, e ao mesmo tempo, procuram ter em mãos o machado de guerra para uma boa medida.

 "A partir do material do Wikileaks se conclui que a OTAN fez planos elaborados numa época em que foi declarado que eles nos consideram um aliado", disse Lavrov. "A questão é até que ponto são honestas as intenções da OTAN com respeito a sua aliança (com a Rússia)", disse ele.

 O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros já manifestou preocupação com os planos dos Estados Unidos de implantação em 2013 de uma força rotatória de aviões militares F-16 e C-100 Hercules com suas tripulações em uma base da força aérea da Polônia no norte desse país, como anunciou no final de novembro, o ministro da Defesa polonês Bogdan Klich.

 O anúncio de Klich foi feito dias depois da cúpula da OTAN, onde o presidente da Polônia, Bronislaw Komorowski propôs a implantação de uma base permanente do bloco em solo polonês.

 Moscow reiterou também sua rejeição pela existência de uma bateria de mísseis Patriot a apenas 60 km do enclave russo de Kaliningrado, embora reconhecendo que não é uma ameaça à sua segurança.

 De acordo com especialistas, a desconfiança dissimulada da OTAN se espalhou contagiando  a Rússia que está a preparar medidas para responder a todas as propostas de "paz e guerra" de seus aliados Atlânticos.

 Em seu discurso anual ao Parlamento o presidente russo, Dmitri Medvedev, após a confirmação da estratégia de modernização das Forças Armadas, propôs a criação de uma tropa de defesa aérea com comando unificado com as tropas espaciais responsáveis pelo sistema de alerta antecipado contra ataques de mísseis.

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