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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uma Nova Ordem Mundial?



 Esse texto é um fragmento do texto Tomgram: Alfred McCoy, Taking Down America publicado em 5 de dezembro em tomdispatch.com, dividido aqui em partes e publicadas individualmente:

 a)Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.
 a)Crise petrolífera: Situação atual.
 b)Crise petrolífera: Cenário 2025.
 a)As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)O Cenário de 2014 das aventuras militares dos Estados Unidos.
 a)Cenário atual de uma III Guerra Mundial.
 b)Cenário de III Guerra Mundial até 2025.

 Mesmo que os acontecimentos futuros venham a ser mais desagradáveis do que estes quatro cenários sugerem, todas as tendências significativas apontam para um declínio muito mais impressionante do poder global americano em 2025 do que tudo o que Washington parece estar hoje a encarar. 

 À medida que em todo o mundo os aliados começam a realinhar as suas políticas para terem conhecimento dos crescentes poderes asiáticos, o custo de manter 800 ou mais bases militares ultramarinas vai tornar-se simplesmente insustentável, acabando por forçar uma retirada encenada numa Washington ainda renitente. Com os Estados Unidos e a China numa corrida para armar o espaço e o ciber-espaço, é inevitável que aumentem as tensões entre as duas potências, tornando pelo menos possível um conflito militar em 2025, embora isso não seja garantido. 

 Enquanto o poder dos Estados Unidos recua, o passado oferece um espectro de possibilidades para uma futura ordem mundial. Numa das pontas deste espectro, não se pode pôr de lado a ascensão de uma nova superpotência global, embora isso seja pouco provável. Tanto a Rússia como a China revelam ainda culturas auto-referenciais, escritas difíceis, não romanas, estratégias de defesa regional e sistemas legais subdesenvolvidos, que lhes negam instrumentos chaves para um domínio global. Portanto, de momento, parece que não há no horizonte nenhuma superpotência que possa suceder aos Estados Unidos. 

 Numa versão sombria, medonha, do nosso futuro global, uma coligação de corporações transnacionais, de forças multilaterais como a OTAN e de uma elite financeira internacional talvez pudesse forjar um único elo supra-nacional, possivelmente instável, que tornaria sem sentido continuar a falar de impérios nacionais. Enquanto as corporações desnacionalizadas e as elites multinacionais governariam assumidamente um mundo assim, em enclaves urbanos seguros, a multidão seria relegada para a desolação urbana e rural. 

 A meio caminho do espectro de possíveis futuros, pode emergir um novo oligopólio global entre 2020 e 2040, com potências em ascensão como a China, a Rússia, a Índia e o Brasil colaborando com potências em decadência como a Grã-Bretanha, a Alemanha, o Japão e os Estados Unidos para imporem um domínio global ad hoc, parecido com a aliança solta dos impérios europeus que governaram metade da humanidade por volta de 1900. 

 Outra possibilidade: a ascensão de hegemonias regionais num regresso a algo que faz recordar o sistema internacional que funcionou antes de tomarem forma os impérios modernos. Nesta ordem mundial neo-westfaliana, com as suas imagens infindáveis de micro-violência e de exploração sem controlo, cada hegemonia dominará a sua região – Brasília na América do Sul, Washington na América do Norte, Pretória na África do Sul, e assim por diante. O espaço, o ciber-espaço e as profundezas marítimas, libertos do controle da antiga "polícia" planetária, os Estados Unidos, até podem tornar-se áreas públicas globais, controladas por um Conselho de Segurança das Nações Unidas alargado ou qualquer órgão ad hoc. 

 Todos estes cenários são extrapolações de tendências existentes para um futuro no pressuposto de que os americanos, míopes pela arrogância de décadas de um poder historicamente sem paralelo, não possam ou não queiram tomar medidas para gerir a erosão descontrolada da sua posição global. 

 Se o declínio da América está de fato numa trajetória de 22 anos, de 2003 a 2005, então já esbanjamos a maior parte da primeira década desse declínio com guerras que nos afastaram dos problemas a longo prazo e, tal como a água despejada nas areias do deserto, desperdiçaram milhões de milhões de dólares de que precisamos desesperadamente. 

 Se restam apenas 15 anos, ainda se mantem alta a possibilidade de esbanjá-los até o esgotamento. O Congresso e o presidente encontram-se atualmente manietados; o sistema americano está inundado de dinheiro público destinado a emperrar as obras; e poucas indicações há de que quaisquer questões de significado, incluindo as nossas guerras, o nosso estado de segurança nacional, o nosso esfomeado sistema de educação, e o nosso antiquado fornecimento de energia, sejam tratadas com a necessária seriedade para assegurar o tipo de aterrissagem suave que podia maximizar o papel e a prosperidade do nosso país num mundo em mudança. 

 Os impérios da Europa acabaram e o império da América está a acabar. É cada vez mais duvidoso que os Estados Unidos venham a ter algo parecido com o êxito da Grã-Bretanha em moldar uma ordem mundial sucedânea que proteja os seus interesses, preserve a sua prosperidade e exiba o carimbo dos seus melhores valores.

por Alfred W. McCoy

Fonte: http://resistir.info/eua/decline_fall_p.html

Alfred W. McCoy, professor de história na Universidade de Wisconsin-Madison, colaborador frequente de TomDispatch, autor de Policing America's Empire: The United States, the Philippines, and the Rise of the Surveillance State (2009). É também o lider do projeto "Empires in Transition" , um grupo de trabalho global de 140 historiadores de universidades dos quatro continentes. Os resultados das suas primeiras reuniões em Madison, Sidney, e Manila foram publicados como Colonial Crucible: Empire in the Making of the Modern American State e as conclusões da sua última conferência aparecerão no ano que vem em "Endless Empire: Europe's Eclipse, America's Ascent, and the Decline of U.S. Global Power". 

Cenário de uma III Guerra Mundial.


 Esse texto é um fragmento do texto Tomgram: Alfred McCoy, Taking Down America publicado em 5 de dezembro em tomdispatch.com, dividido aqui em partes e publicadas individualmente:

 a)Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.
 a)Crise petrolífera: Situação atual.
 b)Crise petrolífera: Cenário 2025.
 a)As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)O Cenário de 2014 das aventuras militares dos Estados Unidos.
 a)Cenário atual de uma III Guerra Mundial.
 b)Cenário de III Guerra Mundial até 2025.


III Guerra Mundial: Situação atual 

 No Verão de 2010, as tensões militares entre os Estados Unidos e a China começaram a aumentar no Pacífico ocidental, outrora considerado um 'lago' americano. Ainda um ano antes ninguém teria previsto uma evolução destas. Tal como Washington se aproveitou da sua aliança com Londres para se apropriar de grande parte do poder global da Grã-Bretanha depois da II Guerra Mundial, também a China está a utilizar agora os proveitos do seu comércio de exportações para os Estados Unidos para financiar o que parece vir a ser um desafio militar ao domínio americano nas águas da Ásia e do Pacífico. 

 Com os seus recursos cada vez maiores, Pequim está a reclamar um vasto arco marítimo desde a Coréia à Indonésia há muito dominado pela Marinha dos Estados Unidos. Em Agosto, depois de Washington ter manifestado um "interesse nacional" no Mar do Sul da China e de ali ter efetuado exercícios navais para reforçar essa pretensão, o Global Times oficial de Pequim respondeu asperamente, dizendo, "O confronto de forças EUA-China em relação à questão do Mar do Sul da China fez subir a parada quanto à decisão de qual vai ser o verdadeiro futuro governante do planeta". 

 No meio de tensões crescentes, o Pentágono relatou que Pequim já detém "a capacidade de atacar… porta-aviões [americanos] no Oceano Pacífico ocidental" e visar "forças nucleares por todo… o continente dos Estados Unidos". Ao desenvolver "capacidades ofensivas de guerra nuclear, espacial e cibernética", a China parece determinada a competir pelo domínio daquilo a que o Pentágono chama "o espectro de informação em todas as dimensões do campo de batalha moderno". Com o desenvolvimento em curso do poderoso super míssil de longo alcance V, assim como com o lançamento de dois satélites em Janeiro de 2010 e outro em Julho, num total de cinco, Pequim deu sinais de que o país estava a dar passos rápidos na direção de uma rede "independente" de 35 satélites para capacidades de posicionamento global, de comunicações e de reconhecimento até 2020. 

 Para conter a China e alargar a sua posição militar globalmente, Washington pretende montar uma nova rede digital de robótica aérea e espacial, capacidades avançadas de guerra cibernética e vigilância eletrónica. Os estrategas militares esperam que este sistema integrado envolva a Terra numa grelha cibernética capaz de ofuscar exércitos inteiros no campo de batalha ou de caçar um simples terrorista no campo ou na favela. Em 2020, se tudo correr conforme planejado, o Pentágono vai lançar um escudo de três camadas com pequenos aviões espaciais de controlo remoto – que vão da estratosfera até à exosfera, armados com mísseis ágeis, ligados por um elástico sistema de satélite modular e manobrados inteiramente por vigilância telescópica. 

 Em Abril passado, o Pentágono fez história. Alargou as operações dos aviões de controle remoto até à exosfera lançando calmamente o X-37B, um veículo espacial não tripulado, para uma órbita baixa a 410 km acima do planeta. O X-37B é o primeiro de uma nova geração de veículos não tripulados que vão marcar o total armamento do espaço, criando uma arena para futuras guerras diferente de tudo o que já se viu.

Nave espacial não tripulada X-37B antes do seu teste lançada à órbita pela Força Aérea dos Estados Unidos em Abril de 2010.
Foto: tomdispatch.com


III Guerra Mundial: Cenário 2025 

 A tecnologia do espaço e a guerra cibernética são coisas tão novas e sem estarem testadas que até os cenários mais estranhos podem vir a ser ultrapassados por uma realidade que ainda é difícil de conceber. Mas se utilizarmos apenas o tipo de cenários que a própria Força Aérea usou no seu Jogo de Capacidades Futuras 2009, podemos obter "uma melhor compreensão de como o ar, o espaço e o ciber espaço se sobrepõem na guerra" e começar a imaginar como poderá ser realmente travada uma próxima guerra mundial. 

 São 11:59 da noite de quinta-feira de Ação de Graças em 2025. Enquanto os ciber-compradores internautas fazem enxame nos portais da Melhor Compra para se beneficiar dos grandes descontos da última novidade de aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos chineses, os técnicos da Força Aérea Americana no Telescópio de Vigilância Espacial em Maui engasgam-se com o café quando os seus monitores panorâmicos se apagam subitamente. A milhares de quilômetros, no centro de operações do Ciber-Comando dos Estados Unidos, no Texas, os ciber-guerreiros depressa detectam binários maliciosos que, embora lançados anonimamente, mostram as distintas impressões digitais do Exército de Libertação de Pequim.


O programa Telescópio de Vigilância Espacial (SST) desenvolverá e demonstrará um sistema ótico com base na terra para detecção e rastreamento de objetos no espaço, fornecendo rapidamente informações com capacidade de pesquisa de larga área. A meta principal do programa SST é desenvolver a tecnologia de grandes sensores para antecipar no espaço profundo objetivos como detenção de asteróide e missões de defesa espaciais.Fonte: www.darpa.mil


 O primeiro ataque aberto é um ataque que ninguém previra. "Vírus" chineses apoderam-se do controle da robótica a bordo de um avião "Vulture" americano, de controle remoto, não tripulado, alimentado a energia solar, quando ele se encontra a 70 mil pés de altitude sobre o Estreito Tsushima entre a Coréia e o Japão. Este dispara subitamente toda a carga de mísseis transportada na sua enorme envergadura de 120 metros, enviando dezenas de mísseis letais que mergulham inofensivamente no Mar Amarelo, desarmando eficazmente essa arma formidável. 

 Decidido a combater o fogo com fogo, a Casa Branca autoriza um ataque de retaliação. Confiante em que o seu sistema satélite F-6 "Fractionated, Free-Flying" é impenetrável, os comandantes da Força Aérea na Califórnia transmitem códigos robóticos para a flotilha de aviões espaciais de controle remoto X-37B que se deslocam numa órbita a 400 km acima da Terra, ordenando-lhes que lancem os seus mísseis "Triple Terminator" contra os 35 satélites da China. Resposta zero. Quase em pânico, a Força Aérea lança o seu Falcon Hypersonic Cruise Vehicle para um arco a 160 km acima do Oceano Pacífico e, 20 minutos depois, envia os códigos de computador para disparar mísseis contra sete satélites chineses em órbitas vizinhas. Subitamente os códigos de lançamento deixam de estar operacionais. 

A interpretação de um artista do f-6 "Fractionated," sistema de satélite de trajetória livre, com componentes dispersados para maior elasticidade, agora em desenvolvimento pelo Departamento de Defesa de Estados Unidos.
Foto: tomdispatch.com


 À medida que os vírus chineses se alastram descontroladamente pela arquitetura dos satélites F-6, enquanto os super-computadores americanos de segunda categoria não conseguem decifrar o malicioso e complexo código do vírus, deixam de funcionar sinais de GPS vitais para a navegação dos navios e aviação americana em todo o mundo. Porta-aviões começam a andar em círculos no meio do Pacífico. Esquadrões de caças aterrizam. Mortíferos aviões de comando remoto voam sem rumo, despencando-se quando se esgota o combustível. Subitamente, os Estados Unidos perdem o que a Força Aérea americana há muito chamava "o supremo terreno elevado": o espaço. Em poucas horas, o poder militar que dominara o globo durante quase um século, foi derrotado na III Guerra Mundial sem uma única baixa humana. 

continuação...  Uma Nova Ordem Mundial?

As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos.



 Esse texto é um fragmento do texto Tomgram: Alfred McCoy, Taking Down America publicado em 5 de dezembro em tomdispatch.com, dividido aqui em partes e publicadas individualmente:

 a)Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.
 a)Crise petrolífera: Situação atual.
 b)Crise petrolífera: Cenário 2025.
 a)As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)O Cenário de 2014 das aventuras militares dos Estados Unidos.
 a)Cenário atual de uma III Guerra Mundial.
 b)Cenário de III Guerra Mundial até 2025.

As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.


 Contrariando o bom senso, à medida que o seu poder enfraquece, os impérios embarcam frequentemente em aventuras militares desastrosas e mal aconselhadas. Este fenómeno é conhecido entre os historiadores do império como "micro-militarismo" e parece envolver esforços psicologicamente compensadores para salvar o estigma da retirada ou da derrota ocupando novos territórios, mesmo que breve e catastroficamente. Estas operações, irracionais mesmo do ponto de vista imperialista, representam muitas vezes gastos hemorrágicos ou derrotas humilhantes que só aceleram a perda do poder. 

 Em todas as épocas, os impérios bélicos sofrem de uma arrogância que os leva a mergulhar cada vez mais profundamente em aventuras desastrosas até que a derrota se transforma em derrocada. Em 413 AC, uma Atenas enfraquecida enviou 200 barcos para serem massacrados na Sicília. Em 1921, uma Espanha imperialista moribunda enviou 20 mil soldados para serem dizimados pelos guerrilheiros berberes no Marrocos. Em 1956, um Império Britânico em decadência destruiu o seu prestígio atacando o Suez. E em 2001 e 2003, os Estados Unidos ocuparam o Afeganistão e invadiram o Iraque. Com a arrogância que define os impérios ao longo dos milénios, Washington aumentou o número de efetivos no Afeganistão para 100 mil, alargou a guerra até ao Paquistão, e prolongou o seu compromisso até 2014 e para além disso, muito próximo de desastres grandes e pequenos neste cemitério de impérios com armas nucleares, infestado por guerrilhas. 


O Cenário de 2014 para as aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos.  


 O 'micro-militarismo" é tão irracional, tão imprevisível, que cenários aparentemente irreais rapidamente são ultrapassados pelos acontecimentos reais. Com as forças militares americanas esticadas desde a Somália às Filipinas e as tensões crescentes em Israel, no Irã e na Coréia, são múltiplas as combinações possíveis para uma crise militar desastrosa no estrangeiro. 


Mapa da guerra americana ao terrorismo e da nova estratégia agressiva mostra o alcance global das ações do pentágono americano. Clique na imagem para ampliar.


 Estamos a meio do Verão de 2014 e uma reduzida guarnição americana no Kandahar em guerra no sul do Afeganistão é súbita e inesperadamente invadida por guerrilheiros talibãs, enquanto a aviação americana está no chão por causa duma tempestade de areia que impede a visão. Ocorrem pesadas baixas e, em retaliação, um comandante americano envergonhado envia bombardeiros B-1 e caças F-16 para demolir bairros suburbanos da cidade que se julga estarem sob o controle dos talibãs, enquanto helicópteros equipados com metralhadoras AC-130U "Spooky" varrem os escombros com um devastador fogo de canhões. 

 Imediatamente, os mullahs começam a pregar a jihad nas mesquitas por toda a região, e unidades do exército afegão, treinados por forças americanas para dar a volta à guerra, começam a desertar em massa. Então, os combatentes talibãs desencadeiam uma série de ataques extremamente sofisticados, visando as guarnições dos Estados Unidos em todo o país, fazendo aumentar as baixas americanas. Em cenas que fazem recordar Saigon em 1975, helicópteros americanos resgatam soldados e civis americanos nos telhados de Cabul e Kandahar. 

 Entretanto, irritados com o beco sem saída interminável que já dura há décadas no que se refere à Palestina, os lideres da OPEP impõem um novo embargo petrolífero aos Estados Unidos como protesto pelo seu apoio a Israel, assim como pela matança de número incontável de civis muçulmanos nas suas guerras em curso por todo o Grande Médio Oriente. Com os preços da gasolina a subir em espiral e as refinarias a ficarem secas, Washington toma a decisão de enviar forças de Operações Especiais para conquistar os portos petrolíferos do Golfo Pérsico. Isto, por sua vez, incentiva uma onda de ataques suicidas e a sabotagem de oleodutos e de poços de petróleo. Enquanto nuvens negras se acumulam no céu e os diplomatas se levantam na ONU para denunciar asperamente as ações americanas, a opinião pública internacional faz ressuscitar a história para brandir este "Suez da América", uma referência explícita à derrocada de 1956 que marcou o fim do Império Britânico. 

Crise petrolífera: o cenário atual e o de 2025.



 Esse texto é um fragmento do texto Tomgram: Alfred McCoy, Taking Down America publicado em 5 de dezembro em tomdispatch.com, dividido aqui em partes e publicadas individualmente:

 a)Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.
 a)Crise petrolífera: Situação atual.
 b)Crise petrolífera: Cenário 2025.
 a)As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)O Cenário de 2014 das aventuras militares dos Estados Unidos.
 a)Cenário atual de uma III Guerra Mundial.
 b)Cenário de III Guerra Mundial até 2025.



Crise petrolífera: Situação atual.

 Uma consequência do poder econômico moribundo da América tem sido a sua dificuldade nos abastecimentos globais de petróleo. Ultrapassando a economia americana ávida de gasolina, a China passou a ser o maior consumidor de energia neste verão, uma posição que os Estados Unidos mantiveram durante mais de um século. O especialista em energia Michael Klare argumenta que esta mudança significa que a China vai "assumir o comando na definição do nosso futuro global". 

 Em 2025, o Irã e a Rússia vão controlar quase metade do abastecimento mundial de gás natural, o que potencialmente lhes dará uma vantagem enorme sobre a Europa faminta de energia. Acrescentem as reservas de petróleo a esta mistura e, conforme alertou o National Intelligence Council, dentro de apenas 15 anos, a Rússia e o Irã poderão "emergir como os reis da energia". 

 Apesar duma espantosa capacidade de invenção, as grandes potências petrolíferas estão neste momento a esgotar as grandes bacias de reservas petrolíferas que são de extração fácil e barata. A grande lição do desastre petrolífero do Deep Horizon no Golfo do México não foi o padrão negligente de segurança da BP, mas o simples fato que todo mundo viu no "pequeno ecrã": os gigantes da energia já não têm alternativa senão procurar aquilo que Klare designa por "petróleo difícil" a quilómetros abaixo da superfície do oceano para conseguir manter os seus lucros. 

 A agravar o problema, os chineses e os indianos tornaram-se repentinamente enormes consumidores de energia. Mesmo que os abastecimentos de combustíveis fósseis se mantivessem constantes (o que não acontece), a procura, e portanto os custos, aumentará certamente – e de forma acentuada. Outras nações desenvolvidas estão a enfrentar esta ameaça de uma forma agressiva dedicando-se a programas experimentais para desenvolver fontes de energia alternativas. Os Estados Unidos seguiram um caminho diferente, fazendo muito pouco para desenvolver energias alternativas ao mesmo tempo que, nos últimos trinta anos, duplicaram a sua dependência das importações de petróleo estrangeiro. Entre 1973 e 2007, as importações de petróleo aumentaram de 36% da energia consumida nos Estados Unidos para 66%. 




Crise petrolífera: Cenário 2025.

 Os Estados Unidos mantêm-se tão dependentes do petróleo estrangeiro que qualquer pequena evolução adversa no mercado global de energia em 2025 provoca um choque petrolífero. Em comparação, o choque petrolífero de 1973 (quando os preços quadruplicaram em poucos meses) não é nada. Irritados com a queda do valor do dólar, os ministros do Petróleo da OPEP, num encontro em Riad, exigem os pagamentos futuros da energia num "cabaz" de ienes, iuans e euros. O que só contribui para aumentar o custo das importações do petróleo nos Estados Unidos. Na mesma altura, enquanto assinam uma nova série de contratos de entrega a longo prazo com a China, os sauditas estabilizam as suas próprias reservas de divisas estrangeiras mudando para o iuan. Entretanto, a China injeta milhares de milhões na construção de um enorme oleoduto trans-Ásia e no financiamento da exploração no Irã do maior campo de gás natural do mundo, em South Pars no Golfo Pérsico. 

 Com a preocupação de que a Marinha Americana já não seja capaz de proteger os petroleiros que viajam do Golfo Pérsico para abastecer a Ásia oriental, uma coligação de Teerã, Riad e Abu Dabi forma uma inesperada nova aliança do Golfo e afirma que a nova frota da China de porta-aviões ligeiros passará a patrulhar o Golfo Pérsico a partir duma base no Golfo de Oman. Sob uma forte pressão econômica, Londres concorda em cancelar o aluguel aos Estados Unidos da sua base na ilha de Diego Garcia no Oceano Índico, enquanto Camberra, pressionada pelos chineses, informa a Washington que a Sétima Frota deixou de ser bem-vinda para usar Fremantle como porto de abrigo, expulsando assim na prática a Marinha Americana do Oceano Indico. 

 A duros pesares, após alguns avisos sucintos, a 'Doutrina Carter', segundo a qual o poder militar americano iria proteger eternamente o Golfo Pérsico, é posta à parte em 2025. Todos os elementos que há muito garantiam aos Estados Unidos abastecimentos ilimitados de petróleo a baixo preço daquela região – logística, taxas de câmbio e poder naval – evaporam-se. Nesta altura, os Estados Unidos ainda conseguem cobrir uns insignificantes 12% das suas necessidades energéticas a partir da sua alternativa embrionária da indústria energética e mantém-se dependente das importações de petróleo para metade do seu consumo de energia. 

 O choque petrolífero que se segue atinge o país como um furacão, disparando os preços para alturas impressionantes, tornando as viagens uma proposta extremamente cara, colocando os salários reais (que há muito estavam em declínio) em queda livre e tornando não competitivas as poucas exportações americanas que ainda restam. Com os termostatos a descer, os preços da gasolina a furar o teto, e os dólares a fugir mar fora em troca do petróleo caro, a economia americana fica paralisada. Com as alianças há muito desgastadas no fim e as pressões fiscais a aumentar, as forças militares americanas começam finalmente uma retirada encenada das suas bases ultramarinas. 

 Em poucos anos, os Estados Unidos estão funcionalmente na falência e o relógio aproxima-se da meia-noite do Século Americano. 

Declínio econômico dos Estados Unidos.



 Esse texto é um fragmento do texto Tomgram: Alfred McCoy, Taking Down America publicado em 5 de dezembro em tomdispatch.com, dividido aqui em partes e publicadas individualmente:

 a)Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.
 a)Crise petrolífera: Situação atual.
 b)Crise petrolífera: Cenário 2025.
 a)As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)O Cenário de 2014 das aventuras militares dos Estados Unidos.
 a)Cenário atual de uma III Guerra Mundial.
 b)Cenário de III Guerra Mundial até 2025.


Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.

 Existem presentemente três ameaças principais para a posição dominante da América na economia global: perda de peso econômico graças à quota minguante do comércio mundial, declínio da inovação tecnológica americana e fim da situação privilegiada do dólar enquanto divisa de reserva global. 

 Em 2008, os Estados Unidos já tinham descido para o número três nas exportações globais de mercadorias, com apenas 11% em comparação com 12% para a China e 16% para a União Europeia. Não há nenhuma razão para crer que esta tendência se vá inverter. 

 A liderança americana na inovação tecnológica também está em decadência. Em 2008, os Estados Unidos ainda eram o número dois a seguir ao Japão nos pedidos de patentes mundiais com 232 mil, mas a China estava a aproximar-se rapidamente com 195 mil, graças a um aumento fulgurante de 400% desde 2000. Um arauto de maior declínio: em 2009 os Estados Unidos atingiram o último lugar na classificação entre os 40 países analisados pela Information Technology & Innovation Foundation no que se refere a "mudança" em "competitividade global com base na inovação" durante a década anterior. A dar mais peso a estas estatísticas, o Ministério da Defesa da China divulgou em Outubro o super-computador mais rápido do mundo, o Tianhe-1A, tão poderoso, disse um especialista dos Estados Unidos, que "estoura com a atual máquina nº 1" na América. 

 Acrescentem a isto a clara evidência de que o sistema educativo dos Estados Unidos, a fonte dos futuros cientistas e inovadores, tem vindo a ficar para trás em relação aos seus competidores. Depois de liderar o mundo durante décadas, no que se refere a pessoas entre os 25 e os 34 anos de idade com formação universitária, o país mergulhou para 12º lugar em 2010. O Fórum Econômico Mundial classificou os Estados Unidos no 52º lugar entre 139 países quanto à qualidade do ensino universitário de matemática e ciências em 2010. Atualmente, quase metade de todos os estudantes formados em ciências nos Estados Unidos são estrangeiros, a maioria dos quais regressará aos seus países, em vez de se manter aqui como acontecia anteriormente. Por outras palavras, em 2025, os Estados Unidos enfrentarão provavelmente uma escassez crítica de cientistas talentosos. 

 Estas tendências negativas estão a estimular críticas cada vez mais duras ao papel do dólar como divisa de reserva mundial. "Os outros países já não estão dispostos a comprar a idéia de que os Estados Unidos sabem o que é o melhor em política econômica", observou Kenneth S. Rogoff, um antigo economista de topo do Fundo Monetário Internacional. Em meados de 2009, quando os bancos centrais mundiais detinham um valor astronômico de 4 milhões de milhões de dólares em notas do Tesouro americano, o presidente russo Dimitri Medvedev insistia que era tempo de acabar com "o sistema unipolar mantido artificialmente" baseado "numa divisa de reserva que antigamente era forte". 

 Simultaneamente, o governador do banco central da China sugeria que o futuro poderá assentar numa divisa de reserva global "desligada de países individuais" (ou seja, o dólar dos Estados Unidos). Considerem isto como indicadores de um mundo futuro, e duma possível tentativa, conforme referiu o economista Michael Hudson, "para acelerar a falência da ordem mundial financeiro-militar dos Estados Unidos". 

Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.

 Em 2020, depois de anos de gordos déficites alimentados por intermináveis guerras em países distantes, e conforme esperado há muito, o dólar americano perde finalmente o seu estatuto especial como divisa de reserva mundial. Subitamente, o custo das importações dispara. Impossibilitado de pagar os déficites enormes através da venda ao estrangeiro das notas do Tesouro agora desvalorizadas, Washington é finalmente forçado a reduzir o seu inchado orçamento militar. Debaixo da pressão interna e externa, Washington faz regressar lentamente as forças americanas das centenas de bases ultramarinas para um perímetro continental. Mas agora já é tarde demais. 

 Confrontados com a realidade de uma superpotência decadente e incapaz de pagar as contas, a China, a Índia, o Irã, a Rússia e outras potências, grandes e regionais, desafiam provocadoramente o domínio dos Estados Unidos sobre os oceanos, o espaço e o ciber-espaço. Entretanto, no meio de preços altos, de um desemprego sempre crescente e de uma queda continuada dos salários reais, as divisões internas resultam em choques violentos e debates discordantes, muitas vezes sobre questões totalmente irrelevantes. Na crista de uma onda política de desilusão e desespero, um patriota da extrema-direita conquista a presidência com retórica retumbante, exigindo respeito para com a autoridade americana e ameaçando retaliação militar ou represálias econômicas.

Quatro cenários para o fim da Superpotência Americana até 2025.



 Esse texto é um fragmento do texto Tomgram: Alfred McCoy, Taking Down America publicado em 5 de dezembro em tomdispatch.com, dividido aqui em partes e publicadas individualmente:

 a)Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.
 a)Crise petrolífera: Situação atual.
 b)Crise petrolífera: Cenário 2025.
 a)As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)O Cenário de 2014 das aventuras militares dos Estados Unidos.
 a)Cenário atual de uma III Guerra Mundial.
 b)Cenário de III Guerra Mundial até 2025.


Quatro cenários para o fim do século americano em 2025.

 O fim da hegemonia americana, pode chegar muito mais depressa do que se imagina. Se Washington está convencido que o fim do Século Americano será lá para 2040 ou 2050, uma avaliação mais realista das tendências internas e globais sugere que em 2025, apenas daqui a 15 anos, pode estar tudo acabado aos Estados Unidos, enquanto superpotência global. 

 Os futuros historiadores identificarão provavelmente a imprudente invasão do Iraque da administração Bush em 2003 como o início da queda da América. Mas, ao contrário do banho de sangue que marcou o fim de tantos impérios do passado, com cidades a arder e massacres de civis, este colapso imperial do século vinte e um pode ocorrer de modo relativamente calmo através dos rebentos invisíveis do colapso econômico ou da guerra cibernética. 

 Mas sem sombra de dúvidas: quando finalmente acabar o domínio global de Washington, todos os dias haverá recordações dolorosas do que tal perda de poder significa para os americanos qualquer que seja o seu estilo de vida. Como meia dúzia de países europeus descobriram, o declínio imperialista tende a ter um impacto bastante desmoralizante numa sociedade, impondo pelo menos uma geração de privações econômicas. À medida que a economia arrefece, a temperatura política sobe, estimulando frequentemente uma grave turbulência interna. 

 Significativamente, em 2008, o National Intelligence Council dos Estados Unidos reconheceu pela primeira vez que o poder global da América estava de fato numa trajetória de declínio. Num dos seus relatórios futuristas periódicos, Global Trends 2025, o Conselho citava "a transferência da riqueza e do poder econômico globais atualmente em curso, de modo geral do ocidente para o oriente" e "sem precedentes na história moderna", como o principal fator no declínio da "força relativa dos Estados Unidos – mesmo na área militar". Mas, tal como muita gente em Washington, os analistas do Conselho previam uma aterrissagem muito prolongada e muito suave para o predomínio americano global e albergavam a esperança de que, de certa forma, os americanos iriam "manter competências militares únicas… para projetar globalmente o poder militar" durante as próximas décadas. 

 Segundo as atuais projeções, os Estados Unidos vão encontrar-se em segundo lugar, atrás da China (já a segunda maior economia do mundo) em produtividade econômica por volta de 2026, e atrás da Índia em 2050. Do mesmo modo, a inovação chinesa está numa trajetória para a liderança mundial em ciências aplicadas e em tecnologia militar aproximadamente entre 2020 e 2030, à medida em que o atual suprimento de brilhantes cientistas e engenheiros da América se reformarem sem uma substituição adequada por uma geração mais nova com deficiente instrução. 

 Em 2020, segundo os planos atuais, o Pentágono jogará uma última cartada para um império em queda. Lançará uma tripla cobertura letal de modernas armas aeroespaciais robóticas como a última esperança de Washington para manter o poder global apesar da redução da sua influência econômica. Mas nesse ano, a rede global chinesa de satélites de comunicações, apoiada pelos super-computadores mais poderosos do mundo, também estará plenamente operacional, fornecendo a Pequim uma plataforma independente para o armamento do espaço e um poderoso sistema de comunicações para ataques de mísseis ou cibernéticos em todos os quadrantes do globo. 

 Envolvida em sua prepotencia imperial, tal como Whitehall ou o Quai d'Orsay antes dela, a Casa Branca parece imaginar ainda que o declínio americano será gradual, suave e parcial. No discurso sobre o Estado da Nação em Janeiro passado, o presidente Obama voltou a garantir que "eu não aceito um segundo lugar para os Estados Unidos da América". Dias depois, o vice-presidente Biden ridicularizou a idéia de que "estamos destinados a cumprir a profecia [do historiador Paul] de Kennedy de que vamos ser uma grande nação que falhou porque perdemos o controlo da nossa economia e exageramos". Do mesmo modo, ao escrever na edição de Novembro da revista institucional Foreign Affairs, o guru da política neoliberal Joseph Nye afastou qualquer conversa sobre o crescimento econômico e militar da China, desdenhando "metáforas enganadoras de declínio orgânico" e negando que estivesse em marcha qualquer deterioração do poder global dos Estados Unidos. 

 Os americanos mais simples, que vêem os seus empregos a fugir para além-mar, têm uma perspectiva mais realista do que os seus lideres requintados. Uma sondagem de opinião de Agosto de 2010 chegou à conclusão de que 65% dos americanos estão convencidos de que o país já se encontra "numa situação de declínio". A Austrália e a Turquia, tradicionais aliados militares dos Estados Unidos, já estão a usar as suas armas fabricadas por americanos em manobras aéreas e navais conjuntas com a China. Os parceiros econômicos mais próximos da América já estão a distanciar-se de Washington quanto à oposição às taxas de câmbio da China. Quando o presidente regressou da sua visita à Ásia no mês passado, um cabeçalho tristonho do New York Times resumia a situação desta maneira: "A visão econômica de Obama é rejeitada no cenário internacional, a China, a Grã-Bretanha e a Alemanha desafiam os Estados Unidos e as conversações comerciais com Seul também falham". 

 Vista numa perspectiva histórica, a questão não é se os Estados Unidos vão perder o seu incontestado poder global, mas em que grau de rapidez e de violência o declínio ocorrerá. Utilizando a própria metodologia futurista do National Intelligence Council serão sugeridos quatro cenários realistas para comprovar como o poder global dos Estados Unidos pode chegar ao fim nos anos 20 (acompanhados de quatro análises correspondentes da situação atual). Os cenários futuros incluem: declínio econômico, choque petrolífero, desventuras militares e III Guerra Mundial. Embora estas não sejam as únicas possibilidades no que se refere ao declínio americano ou mesmo ao seu colapso, constituem uma visão sobre um futuro próximo. 

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